Há muitas questões idiomáticas que só que domine muito bem uma língua pode ultrapassar, como todos sabemos.
Mas ontem reparei que há coisas que, por melhor que se domine a língua de outro país, obrigatoriamente nos (lhes) escapam.
Por exemplo os pregões.
Ia distraidamente na rua quando ouvi uma cantilena típica «É p’ra hoje! É p’ra hoje!».
Típica para mim. Nem era preciso ouvir «está quase a andar» por exemplo para saber do que se tratava, que a entoação do pregão é inconfundível.
Mas imaginaram um inglês, francês, italiano, alemão, a ‘traduzir’ aquilo à letra? O que raio seria «para hoje»?! O que é que o homenzinho quereria dizer?!
Também é verdade que é quase só o pregão que ainda resta. Por acaso na minha zona ainda passa às vezes o amolador (de facas e tesouras) que toca uma gaita de beiços também característica e no Outono ouve-se às vezes por aí o «Quentes e boas!» (também com uma tradução que pode levantar dúvidas...)
Mas já não oiço o «viva da costa!!» (também intraduzível) nem o «figuinho de capa rota!», nem coisa nenhuma dessas.
Se quero comprar alguns desses produtos vou ao supermercado, e aí fala-se a mesma língua, ou antes - nem se fala língua nenhuma...
Mas ontem reparei que há coisas que, por melhor que se domine a língua de outro país, obrigatoriamente nos (lhes) escapam.
Por exemplo os pregões.
Ia distraidamente na rua quando ouvi uma cantilena típica «É p’ra hoje! É p’ra hoje!».
Típica para mim. Nem era preciso ouvir «está quase a andar» por exemplo para saber do que se tratava, que a entoação do pregão é inconfundível.
Mas imaginaram um inglês, francês, italiano, alemão, a ‘traduzir’ aquilo à letra? O que raio seria «para hoje»?! O que é que o homenzinho quereria dizer?!
Também é verdade que é quase só o pregão que ainda resta. Por acaso na minha zona ainda passa às vezes o amolador (de facas e tesouras) que toca uma gaita de beiços também característica e no Outono ouve-se às vezes por aí o «Quentes e boas!» (também com uma tradução que pode levantar dúvidas...)
Mas já não oiço o «viva da costa!!» (também intraduzível) nem o «figuinho de capa rota!», nem coisa nenhuma dessas.
Se quero comprar alguns desses produtos vou ao supermercado, e aí fala-se a mesma língua, ou antes - nem se fala língua nenhuma...
It is for today, it is for today, não dava?
ResponderEliminarIt is for today, it is for today, não dava?
ResponderEliminar:)
ResponderEliminarTambém comecei a experimentar «c'est pour aujourd’hui...»
Ehehehe!!!!
E olha que as «quentes e boas» todos entendiam. Talvez fossem ao engano .)
O Variações cantava «É p'amanhã!»
ResponderEliminarTambém dá...
:)
Parece-me que há p'raí gravações dos pregões tradicionais, porque de outra forma, não os ouves mais.
ResponderEliminarOlhem que estou a ver que outros é que me lembro e já me estão a escapar...
ResponderEliminarHavia os «morangos de Sintra!» por esta época. E obviamente o famoso «fava riiiica!» mas que já nem é bem do meu tempo.
De facto os cauteleiros ainda resistem, apesar dos tótos (bolas e lotos e milhões) que esses não usam pregões.
«Olhó totómilhõõõões!»
lol!
"OLHÁ!!! LISBOA/CAPITAL/REPÚBLICA/POPULAR!!!"
ResponderEliminarOu então assim:
"Olhai senhores,
esta Lisboa
de outras eras...
... e das touradas reais!
Das festas / das seculares procissões / dos populares pregões nacionais/
que não se esquecem mais."
Diriamos agora: "Que não se "ouvem", mais!!!
Olá!
ResponderEliminarTambém estive uns dias ausente...
E está bem apanhado esta coisa de os pregões serem «intraduzíveis»
O engraçado é que fiquei aqui a pensar e, apesar de ser uma coisa de que se fala tanto, também para já não me estou a lembrar de mais nenhum!
Mas de certeza que os havia!
"nem se fala língua nenhuma..." dixit
ResponderEliminarAinda, nos finais dos anos 60, lembro-me de ouvir as vendedeiras de fruta:"Há figuinhos de capa rôta, quem quer figos, quem quer almoçar"e na praia: "Olh'ó gelado, há rajá fresquinho"(este último, dizem que ainda se houve).
ResponderEliminarDeixo-vos um poema sobre o tema,
boa noite.
Maria
“PREGÕES DE LISBOA”
Mal rompeu a madrugada,
Já Lisboa era acordada,
Com seus pregões matinais,
Pela varina peixeira ,
Lá p'rós lados da Ribeira,
Ou o ardina dos jornais.
A Rita da fava rica,
Que vem do bairro da Bica,
Traz pregões à sua moda.
E o homem das cautelas,
Diz p’las ruas e vielas,
Amanhã, é que anda a roda…
Apregoa-se a castanha,
Desde o Rossio ao Saldanha,
Os pregões são sempre assim,
Flores na Praça da Figueira
E diz cada vendedeira
Ó freguês!.. compre-me a mim!…
E de canastra à cabeça,
Quase até que anoiteça,
Há em mil bocas pregões.
Mas não se vê já passar,
A figura popular,
Da Rosinha dos limões!…
Autor: Euclides Cavaco