É uma magia.
A «cristalização» do tempo.
Eu não sou lá grande fotógrafa, talvez porque o meu pai o era, e lá em casa se deixava ao seu cuidado essa coisa de ‘fixar para a eternidade’ os momentos mais importantes quer da nossa vida, quer das nossas emoções (que, como sabemos, também se vêm em fotografia).
Agora com a chegada das máquinas digitais a coisa ficou muito fácil, deixou de ser aquela arte que era nesse tempo do meu pai, e é mais nítida a diferença entre os milhões de fotógrafos amadores e aqueles que sabem o que estão a fazer!
Mas volto ao princípio: a cristalização do tempo. Deixei aqui em cima uma imagem de um montão de flores. Foi fotografado no Verão, no meu quintalinho. Nessa altura, jeitosa como sou, coloquei a máquina em cima de uma mesa, depois dei-lhe um encontrão e ela caiu no chão de pedra... Cuidei que a tinha estragado irremediavelmente!
Passaram meses, não voltei a pensar nela, mas há uns tempos decidi perguntar se aquilo tinha arranjo. Afinal tinha e nem foi assim muito caro, pelo que recuperei a máquina e pela primeira vez consegui ver as fotos que tinha tirado no Verão.
Se calhar ainda aproveito algumas para deixar aqui no blog, mas o que me fez parar para pensar foi exactamente as que tinha tirado aos canteiros do meu quintal, minutos antes de a deixar cair ao chão. Nessa altura aquilo eram manchas de cor que cobriam tudo. Mas... agora já nem me lembrava.
É que hoje, em pleno Inverno, naquele local vê-se apenas uma tira de terra castanha com umas pintas verdes de umas ervas daninhas. Uma desolação.
OK. Contudo ao ver aquelas imagens volto a acreditar que afinal o ano é feito de várias estações e daqui a uns meses a vista que terei será de novo esta:
PS - Se estão a pensar que é uma metáfora, é mesmo!