Mas fui crescendo e apreciando livros maiores mas sempre comoventes.
Não me esqueço de um que era em dois volumes e que chorava imenso a lê-lo:
«Sem família» - um menino de uma família muito pobre que foi cedido a um saltimbanco a quem se afeiçoou muito. Triste, triste. E curiosamente, havia uma sequência desse romance, chamada «Em Família» que acabando bem, me interessou muito menos! E, claro, li «As Mulherezinhas» também, embora as achasse um tanto parvinhas. Curioso como o tema da criança órfã era uma constante na literatura infantil dessa época! Mas, como te disse, os meus pais faziam muita questão em orientar aquilo que eu devia ler. E assim ia absorvendo colecções inteiras à medida que os livros iam sendo publicados. Lembro-me da colecção «Os grandes Livros da Humanidade» onde os clássicos eram adaptados numa linguagem
simplificada «destinando-se às crianças e ao povo» (tal e qual!) Só que essa adaptação era feita por nomes como João de Barros, Aquilino Ribeiro, Jaime Cortezão...Uma outra colecção que me influenciou muito (não me recordo agora o nome mas «vejo» ainda muito bem as capas) apresentava pequenas biografias agrupadas, por exemplo Os 10 maiores cientistas, Os 10 maiores músicos, Os 10 maiores aventureiros. E eu gostava imenso dessas biografias romanceadas, a Vida de Edison, ou de Catarina da Rússia, ou de Pasteur que sentia 'familiares'. Depois havia a História: a Vida Quotidiana no tempo de…, livros que varriam a História de uma ponta à outra mas de um modo muito cativante e lúdico. A Ficção Científica apareceu-me com Júlio Verne, uns romances que vinham de casa do meu avô em encadernações vermelho escuro. Aí, nem sempre me entusiasmava porque às vezes as descrições eram demasiado prolongadas, e eu saltava páginas inteiras para chegar ao que interessava! E… bem, não posso deixar de falar nos Jornais. Havia o Mosquito, e depois o Mundo de Aventuras e o Cavaleiro Andante! Esse é que coleccionei religiosamente todos os números tendo um espaço especial na estante para os guardar. Era um deslumbramento!»

Primeiro - a menina com o livro da Branca de Neve não pode ser mais querida!!! É obviamente uma foto muito antiga e naquela idade ela só via os bonecos com certeza.
ResponderEliminarSegundo - Também me lembro da «dramalhão» do 'Sem Família'. E, não tinha reparado mas tens toda a razão, que quantidade de crianças órfãs que eram protagonistas das histórias. Todas as que citas (incluindo o Pequeno Lord e a Princesinha) são de meninos sem pai ou sem mãe. O Coração, as Mulherzinhas, e afinal até a Branca de Neve ou a gata Borralheira também. Que coisa...
Upss!!
ResponderEliminarEsqueci-me de falar nos Jornais.
Aqueles eram mesmo os primeiros números, não era...?
Tinham pouca cor comparados com os de hoje e o papel não era grande coisa, mas que alegria.
Ai Emiéle, fiquei vidrado nos «jornais», quase nem liguei ao resto.
ResponderEliminarMas já cá volto, depois de ler bem o post todo!
Começando pelo fim, Mosquito; Cavaleiro Andante; Mundo de Aventuras, mais tarde O Falcão com as aventuras do Major Alvega, seria um sem número de citações. Como eu tinha a livraria da Tia, nem os comprava, lia-os lá, logo que chegavam, era o delírio. Dos livros, tenho memória deles todos, dos que li e aí acrescento os Salgari, os Cinco, os Sete, já não achei tanta piada e reitero aqui os Clássicos Contados às Crianças e lembrados ao Povo, colecção donde se destacavam para lá dos Lusíadas, a Eneida e a Odisseia. As boigrafias que citas, sem esquecer a da Madame Curie e a do Edison, depois o Búfalo Bill e o David Crocket. A par do Romançe da Raposa, a Poesia para a Infância, também do Aquilino o João de Deus e a sua poesia, e todos os contos tradicionais portugueses, do Adolfo Coelho, de quem reespgo o final do conto, "O Rabodo Gato", que é assim:
ResponderEliminar" Do meu rabo fiz navalha;
Da navalha fiz sardinha;
Da sardinha fiz farinha:
Da farinha fiz menina;
Da menina fiz camisa;
Da camisa fiz viola;
Frum, fum, fum,
Vou para a minha escola."
Bem, como escrevi, ainda tinha de cá voltar para relembrar outras coisas além desses famosos jornais da época.
ResponderEliminarEste post chamou a atenção para muita coisa. Reparei (sem o menor juízo de valor, atenção!) como eram diferentes os conhecimentos que se pretendia que as crianças há 5o anos dominassem.
É mesmo verdade que se dava bastante valor por um lado aos tais clássicos - também li, para além da Odisseia e Eneida, a Peregrinação, a Divina Comádia, as Viagens de Gulliver, a História Trágico-marítima, etc... - que escritos de um modo acessível apareciam como bastante mais interessantes, e também imensas biografias históricas. Ou seja, a nossa «cultura geral» mesmo que pela rama, era bastante literária e histórica. Daí o relativo choque de gerações, quando falamos com alguém tinta anos mais novo que nos fala de músicas ou filmes que ignoramos e os seus olhos somos de facto ignorantes, e nós referimos conhecimentos que lhes são completamente estranhos.
Creio bem, que vem aqui das raízes, daquilo que se aprendeu ainda em botão. A «nossa» cultura geral era mais extensa, a actual é mais profunda e localizada.
è curioso o que o King diz.De facto havia coisas que se proporcionavam pela leitura.outras pelo "fazer".Uma maquininha de manivela com uma tira de "comics"que a uma determinada velocidade "dava"a projecção de um filme...pequenos teatros de montar,caixas com coisas para experiencias de quimica (Colecção Majora),coisas para estimular a experiencia visual como os fabulosos caleidoscópios,e depois para as raparigas por ex.quem fazia ballet tinha acesso a rudimentos de música, como quem tinha aulas de um instrumento tinha acesso a factos da história da música.Estas coisas democratizaram-se depois.Ou mesmo nos liceus oficiais havia integradas nas actividades da Mocidade Portuguesa.Claro,que eram "dirigidas"ideológicamente...AB
ResponderEliminarQuanto às leituras houve tantos universos...todas as colecções já nomeadas e Twain e Stevenson e Dickens e as Bronte e no meu caso hagiografias não faltaram.AB
ResponderEliminarCurioso lembrares isso, AB, porque o Zé Palmeiro quando se começou a falar de «primeiros livros» veio lembrar um (eu também conheço esse modelo) em que o livro propriamente dito era «o corpo» de um boneco de onde saía a cabeça, as pernas por baixo, e os braços ao lado. Já era um livro-brinquedo.
ResponderEliminarDe resto este tema é mesmo infindável...
Bem apanhado a perspectiva do King sobre o que é agora ou era nesse tempo a «cultura geral». É de facto outro universo em muitas coisas.
Tens razão, diz mesmo na capa que é um livro-brinquedo. Nas minhas velharias, vou lá colocá-lo, uma vez que já o encontrei.
ResponderEliminarZé eu lembro-me de um que era «Joãozinho corre Mundo» ou um título parecido, e o menino protagonista visitava muitas terras e quando se virava a página aparecia «vestido» com os fatos desses diversos países. Muito engraçado.
ResponderEliminarSeria esse?