sábado, janeiro 23, 2010

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Desta vez decidi voltar a uma rubrica que tem andado um tanto esquecida.
E ainda por cima isto pode dar-nos boas ideias...

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Direito à Preguiça

Desculpem.
Ainda por cima hoje é sexta-feira ou seja com o fim de semana à vista devia sentir-me mais activa.
Mas não sinto nada!
Nadinha!!!
Não quero dizer que não tenha na cabeça um ou dois temas de posts para escrever.
Mas hoje não.
Fica para a semana.
Hoje sinto um enorme preguiça... Sorry!




E sexta também!

quinta-feira, janeiro 21, 2010

«Desencravar»

Muitas vezes as máquinas não andam, ou andam mal e devagar, não só por falta de óleo ou combustível, mas porque entrou uma pedrinha nas rodas da engrenagem e tudo aquilo, mesmo com boas intenções, encrava.
A situação da adopção em Portugal, parece ser das mais encravadas. Com tantos pedidos de adopção, tantas pessoas, que até conhecemos, decididas a receber na sua casa uma criança para a poderem educar e lhe dar aquilo a que tem direito pelo facto de ter nascido, e tantas instituições cheias a rebentar com crianças sem família ou com família que não se quer encarregar delas, não se entende que seja tão lento e complicado o processo de adopção.
Mas parece que alguma coisa começa a mexer.
Disse o Diário de Notícias, que de um ano para o outro houve um aumento de 76% quanto a adopções de crianças
Não é tanto quando podia parecer porque os números são pequenos, mas enfim quase se duplicou a resposta. Será que é porque as pessoas ‘adoptantes’ estão mais sensíveis?
Ou a maior sensibilização é antes dos técnicos e juristas que trabalham na área?
Eu inclino-me para a segunda hipótese, o que me leva a pensar que pode ser mesmo a pedra a sair da engrenagem....

Parabéns

O nosso companheiro e fiel comentador, possuidor do Magnifico blog «Estou na Sesta» que só por si é um belo conselho, está hoje da parabéns.
Um grande, grande abraço e os votos de que para o ano ainda o festejemos com a mesma satisfação.

PARABÉNS JOSÉ PALMEIRO!!!!


quarta-feira, janeiro 20, 2010

Na sexta-feira, 18 de Junho

Ainda falta muito, mas pomos já por uma rodelinha no Calendário a marcar o dia. É que vai ser o dia mais feliz do ano.
É assim:
A segunda-feira passada foi dia mais deprimente do ano. Diz quem sabe, não sou eu!
Primeiro, foi 2ª feira, coisa má.
Segundo, o Natal (deve ser o de 2010) está muito longe e o Inverno está péssimo.
Terceiro, depois de ter feito as contas do mês já se viu que não vêm melhorias e as resoluções do Ano Novo é conversa.
Portanto, um senhor inglês, especialista em saúde mental avisa-nos de que o dia é mesmo ruim!
Mas dá conselhos: devemos comer chocolate ao pequeno almoço, passear pelo jardim (à chuva?), gozar 15 minutos de Sol (onde?) e cancelar uma reunião (deve saber bem mas é preciso que exista reunião...) e uma ideia inteligente – vá dormir uma hora mais cedo o dia parece mais curto...!
Isto tudo vem no jornal que tem de ocupar espaço mas ao menos dá uma boa notícia – é que pelos motivos inversos também existe o dia mais feliz do ano. IUPI!
Vai ser a 18 de Junho, sexta-feira.
Vou ver quantos dias faltam...

terça-feira, janeiro 19, 2010

Sem solução

Li ontem que a GNR quer abandonar a Brigada de Trânsito
Se formos analisar os argumentos parece haver alguma razão.Se por um lado o que move deslocar brigadas da GNR em vez de quem fazia esse serviço é para «evitar as relações de confiança com os residentes das localidades» o que poderá acontecer, a verdade é que para os agentes que se têm de deslocar vários dias por semana de uma ponta à outra do país é uma situação no mínimo desagradável.
E o problema do trânsito é dos quais temos de acreditar que exista uma solução, mas assim à primeira vista não se descobre qual vai ser.
Não falando agora das Brigadas que vigiam as estradas e tem muito que se lhe diga, volto ao ponto delicado que é o transito e consequente estacionamento nas cidades.
Eu sei que há um Movimento contra os carros estacionados nos passeios. Se fosse atrás do que me diz o coração, seria das primeiras a assinar. Os passeios são, como o seu nome indica, para passear, portanto não é para ter lá veículos estacionados. Para isso deverá existir parques, garagens, ou zonas da rua.
Mas...
A nossa cidade foi pensada ainda para o tempo das carruagens, de onde hoje a maioria das ruas seja de sentido único porque não passam 2 carros, e os bairros de há 30 anos ou até menos não eram concebidos para aceitarem terem garagens nas suas caves. Portanto a situação do cidadão motorizado é hoje aflitiva. Onde é que estaciona?
A semana passada um amigo que vinha jantar à minha casa, ao fim de um atraso de cerca de uma hora, ligou-me por telemóvel a dizer que andava há uma hora aqui às voltas à procura de estacionamento e talvez fosse desistir!
Por outro lado, é capaz de ser uma ‘lenda urbana’ mas ouvi que a polícia tinha tido ordens para ser mais severa na questão dos estacionamentos, porque estavam aflitos com falta de verbas. E o certo, é que na minha pacata zona, já por dois domingos vejo desembarcar aqui uma carrinha azul policial, e desatarem a multar todos os carros que não estejam perfeitamente legais.
Isto numa tarde de Domingo, onde não se está a prejudicar ninguém, só pode ser porque tiveram aquela tarde livre e vieram ‘arredondar’ o mês.

Mas que solução construtiva?
Mais parques?
Silos?
Destruir os rés-do-chão das casas para fazer garagens?
Eu não consigo ver saída para esta questão.


segunda-feira, janeiro 18, 2010

Fadas actualizadas...

Parece que lá em Espanha decidiram gozar um pouco com as Histórias de Fadas tradicionais.
Parece que a escritora espanhola decidiu que a « Cinderela do século XXI percebe que é uma mulher maltratada pela madrasta e pelas irmãs, abandonada pelo pai, obrigada a ser magra para "caber" em roupas número 38 e o príncipe, depois de se tornar seu marido,passa a ser mandão e um eterno insatisfeito.» o que não deixa de ser uma possibilidade.
Quando li a notícia, não resisti em procurar um FW que andou por aí há muitos anos e rezava assim:

«Há bué de tempo, havia uma garina, cujo cota já tinha esticado o pernil, e que vivia com a xunga da madrasta e as melgas das filhas.

Cinderela vegetava num xilindró, quase sem tempo para enviar uns msm. Perante tal desatino só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta mandava-lhe bué de cortes.
Um dia disseram a Cindy que um gajo lá do sítio ia dar uma alta rave. A garina curtiu a ideia, mas as chavalas cortaram-lhe logo as bases. Depois de andar à toa durante um tempo apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda bacana. Ficou uma febra toda boazona. Mas só podia afiambrar-se da tal cena até ao beter das 12.
A tipa mordeu o esquema e foi prá borga sempre a abrir. Ao entrar topou um man cheio de papel que era bom como milho e que também a galou. Bem... passaram-se! Desbundaram toda a noite até que ao ouvir das 12 ela se axandrou e teve de bazar. O tipo ficou completamente abardinado e foi atrás dela, encontrando pelo caminho o pisante da Cindy.
No dia seguinte, com uma alta fezada, andiu à procura de um chispe que entrasse na bora. Como um ganda posta que era teve sorte e deu com a brasa, p’ra grande desatino das fatelas!
Estas tiveram um vaipe quando souberam que eles iam dar o nó. Mas a garina e o chavalo foram bueréré de felizes!»

Bem, na minha versão apesar de tudo o marido não era mandão e insatisfeito, pelo contrário: foram bueréré de felizes!»
Assim é que é!




PS – Também conheço uma versão Histórias de Fadas Politicamente Correctas onde a madrinha era um padrinho, e apresenta-se assim «Olá Gata Borralheira, eu sou o teu fado padrinho, ou se preferires o teu procurador junto dos Deuses. Queres então ir ao Baile, não é verdade? E submeter-te ao conceito masculino de beleza? Espremer-te num vestido tão justinho que te prejudicará a circulação sanguínea? Apertar os pés nuns sapatos de salto alto que destruam a tua estrutura óssea? Pintar a cara com químicos e cosméticos que foram testados em animais?» «-É o que mais quero no mundo!» respondeu ela sem hesitação.
Etc...

domingo, janeiro 17, 2010

Uma música ao Domingo

Foi a música que tinha escolhido e deixado logo em rascunho para hoje, quando falei na 5ª feira no que se estava a passar na Haiti.
Entretanto o meu amigo José Palmeiro completamente em cima do acontecimento e porque não tem a minha mania de guardar músicas para o Domingo, publicou-a na Sesta.
Com a vénia devida, uma vez que foi o percursor, mas insisti em passar de rascunho ao vivo.
Até mesmo porque é uma bela canção!


sábado, janeiro 16, 2010

Boas Notícias

Eu bem me esforço.
Vou tentando durante a semana deitar o olho ou o ouvido a algum assunto que possa ser encardo como qualquer coisa que nos facilite a vida.
Desta vez julguei ter encontrado: A marcação de consultas médicas on-line – depois de uma fase experimental nas administrações regionais de saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo e do Centro - foi oficialmente alargada quinta-feira a todos os centros de saúde do país
Bom, não é?
Já que há dificuldades de deslocação, e quem está doente bem o sabe, poder marcar-se a consulta on-line, é de festejar.
Só deixo uma pequena restrição: é que já depois de ter escrito esta tal «boa notícia» li, (e não consigo agora encontrar o link, que afinal a coisa não estava ainda afinada, e a notícia tinha sido prematura.
Oxalá me engane na segunda parte da notícia....
Ou então 'afinem' o sistema bem depressa.

Pela porta das traseiras...

Este vídeo foi-me enviado pela Saltapocinhas.
Como sou uma assistente regular (não fanática...) das séries tipo CSI, tive de me largar a rir com a conclusão da história. (as legendas em inglês desculpam-se)



sexta-feira, janeiro 15, 2010

O que é um estágio?

Li no jornal de ontem que o Governo aprova nova versão do programa de estágios, destinado a quem não recebe subsídio. E explica: «a medida é destinada a uma parte dos mais de 170 mil desempregados que não têm acesso ao subsídio».
Cada vez mais os meandros da nossa política económica me parece um jogo de palavras cruzadas, dar-se diversos sentidos ás mesmas antigas palavras.
Fui consultar o dicionário, na palavra Estágio e encontrei a definição:
1. Tempo de tirocínio ou aprendizado de certas profissões, como a de advogado ou médico.
2. Período durante o qual uma pessoa ou um grupo exerce uma actividade temporária com vista à sua formação ou aperfeiçoamento profissional.
Pois é.
Era essa também a minha ideia. Chamava-se «estágio» o tempo em que após uma formação teórica o futuro profissional exercia a prática sob a supervisão de alguém mais experiente. E isso tinha, como seria natural, uma lógica e um tempo determinado.
Mas não agora.
Pelos vistos, há uma grande crise económica e um número crescente de desempregados. Não se consegue pagar-se-lhe um subsídio. Então, põem-se a trabalhar em qualquer coisa mas dá-se o nome de ‘estágio’ não ‘trabalho’ porque chamar-lhe tal é perigoso. Não me parece que seja para fazer uma grande lógica que muitos desses ‘estagiários’ já tenham uma colecção interessante de outros estágios, por vezes 4 ou 5 ou mesmo mais, em áreas parecidas ou, que o não seja, isso tanto faz.
Dentro de pouco tampo poderemos ouvir a resposta:
-Tu, o que fazes na vida?
-Eu sou ‘estagiário’ de profissão.


quinta-feira, janeiro 14, 2010

Pesadelo

Durante esta semana tenho optado por escrever aqui o que se pode chamar de «posts levezinhos». Coisitas mais corriqueiras ou menos importantes, que de qualquer modo me incomodam um pouco, mas.... afinal se «assim vai o Mundo» como no velho documentário, tudo estaria bastante bem razoável.
Mas ontem, uma colega blogger, a Senhora, deixou um comentário num certo humor negro, lembrando que esta chuva que tanto nos anda a aborrecer em Portugal, lá no Brasil tem repercussões muito e muito sérias.
E, por outro lado, não tenho alma para escrever nada de brincadeira, depois de ver e ouvir o pesadelo que se está a viver no Haiti.
Os desastres naturais são sempre assustadores. Vulcões, inundações, tsunamis, tremores de terra, furacões... Quando a Natureza parece perder a cabeça, não há quem não sinta um arrepio e fique indiferente, seja onde for que tal se tenha passado (claro que quando é mais longe conseguimos maior calma....)
Este caso do Haiti é pavoroso.
O país já em si mesmo é o remorso de muita gente. Aceitar pacificamente que cerca de 8 mil cidadãos vivam nas condições em que vivem os haitianos, e pensar que fazer seja o que for é ingerência na independência de uma nação, é pelo menos cínico. E é assim que de uma forma geral até agora se tem vivido.
Desta vez, para dar um forte empurrão à consciência colectiva, a natureza encarregou-se de provocar um terramoto com sete graus de magnitude na escala Richter. E isto numa terra sem recursos, onde as habitações são tão mal construídas que escolas, hospitais, construções importantes foram abaixo – calcula-se as habitações ‘normais’... Fala-se em MILHARES de mortos
Mortos, mas também feridos, também subterrados, também desaparecidos, um pesadelo completo.
Será que só assim se mobilizam os países para ajudar???


Antes....

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Água


Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, costuma-se dizer.
Calculo que viver-se numa zona de seca, num deserto, seja um pesadelo. Mesmo nós, vivendo num clima temperado (?ai é?) quando temos muitos dias de calor consecutivos onde tudo fica ressequido, ficamos desesperados.
Mas assim também não!
Hoje nem vou escrever nada com pés e cabeça porque me sinto húmida, completa e absolutamente húmida!!!
Os chapéus de chuva nem mesmo para enfeitar servem, porque assim que se abrem viram-se do avesso e parecem mais papagaios para soltar ao vento. As botas, para atravessar seja que rua for, ensopam-se de tal modo que me fazem saudades das de borracha amarela ou vermelha que calçava quando tinha 8 anos. Os casacos ou gabardines pingam como se tivessem saído da máquina de lavar roupa.
E depois, o que me incomoda mais, é que TUDO fica húmido! Temos a sensação de que os objectos estão húmidos, os livros estão moles, a louça parece molhada, o ambiente está contra nós!!!
Não.
Estou farta.
Não quero mais água. É incrível como ela nos parece linda, azul e brilhante no Verão! Vejam agora, cinzenta e antipática... Tudo lamacento. Chega!

terça-feira, janeiro 12, 2010

Quando falta a luz…

Há coisas que se sabem, sabem-se simplesmente, não se pensa dois minutos no assunto. Sabemos. Desde há muito ou mesmo desde crianças vimos que é assim. E nem se imagina com facilidade o mundo de outra forma.
Refiro-me ao que se poderá chamar «modernices». É interessante quando se tem tempo a mais ou estamos de férias, é engraçado ‘brincar’ a «uma casa na pradaria» e experimentar viver por uns tempos (poucos!) como os nossos avós. E aí acusa-se a civilização, com o facto de ficarmos ‘moles’ porque só precisamos de carregar num botão para fazer seja o que for… Pois é.
Ora bem, como todos temos sentido, tem feito ultimamente um frio do caraças. Pelo menos para uma terra como a nossa que não está apetrechada com aquecimentos centrais e mordomias dessas. Portanto, cá nos vamos aquecendo como é possível, usando roupa mais quente, com aquecedores a gás (que é um método muito bom mas o objecto ocupa muito espaço), e sobretudo com diversos aquecimentos com base na electricidade - dos ares condicionados, aos fogões de halogéneo, ou com aquecimento a óleo.
Tudo parece correr mais ou menos bem, só que as centrais não estão planeadas para tanto esforço. Portanto, já por duas vezes, passamos a noite na minha casa romanticamente à luz de velas… Toda a zona em que eu moro parece mergulhada numa escuridão de breu, nem candeeiros de rua nem nada! Búúúúú!!!
É bonito?
É.
E cozinhar o jantar, abstraindo da varinha mágica, do forno eléctrico, da picadora e do microndas? E com uma vela equilibrada no fogão (felizmente a gás!), outra na bancada, outra em cima do frigorífico?
E depois do jantar comido à luz das velas (chic) levantar a mesa sem tropeçar, levar tudo para a cozinha, e amontoar de qualquer modo para não fazer mais estragos? Porque isso de se colocar na máquina, há tempo!!!
E ir à casa de banho de vela em punho?
E voltar para a sala sem ver tv nem ouvir rádio ou música porque a aparelhagem está ligada à electricidade?
E não poder ter acesso ao computador, como é evidente.
E a própria campainha da porta não tocar e se algum amigo aparece tem de nos chamar por telemóvel?... e nós descermos as escadas todas com uma lanterna porque o botão de abrir também não funciona?
Ah, e claro que tudo isto a bater o dente porque os milagrosos aquecimentos foram, os primeiros a desfalecer...
Afinal, a civilização é muuuuuito prática!
Não me digam o contrário.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

O difícil campo das emoções

Pensamos muitas vezes que depois de se ter lido «O Erro de Descartes» nunca mais se pensará em «emoção» da mesma forma mais ou menos romântica como falava.. Mas o certo é que entre nós, não-cientistas, se continua a utilizar a palavra emoção de uma forma diferente à da que aquele cientista usa. Mas o que me faz reflectir é o modo como se exterioriza (ou não…) as emoções sentidas, partindo do princípio que ‘se sentem’ mesmo.
É quase um ‘lugar comum’ a noção de que o modo como se demonstra uma emoção tem a ver com a educação, classe socio-económica, ou até raça. Quando um acontecimento atinge a comunidade cigana, por exemplo, é impossível não se ficar conhecedor do facto. Por outro lado, também se diz com frequência que os ingleses são conhecidos pela sua fleuma, por não mostrarem os sentimentos.
Extremos, que nos habituámos a aceitar.

Para quem, como eu, assiste com alguma frequência àquelas
séries tipo pastilha elástica (os ‘policias e ladrões’ de hoje) tipo CSIs, Números, Closer, etc, fica muitas vezes impressionada com a forma ‘supercontrolada’ (?!) com que é recebida a notícia da morte de um familiar. Se repararem, informa-se uma senhora que o seu marido, ou irmão, ou amigo, morreu de súbito e ela mostra um ligeiro choque, um vago espanto, ou nem isso. Muitas vezes a polícia volta lá na manhã seguinte, e vêmo-la a tomar o seu sumo de laranja matinal, impecavelmente maquilhada, penteada, vestida elegantemente, até fazendo humor com as perguntas que ouve.
Deixa-me sempre aparvalhada. Não esperava uma carpideira à grega, mas sim os tais ‘sinais exteriores de desgosto’, não falo no luto à antiga mas numa postura mais desgostosa… Ná. Nada disso. Morreu, morreu.

E tinha esta ideia, de que afinal era uma atitude lá saxónica, como servirem um banquete depois do funeral, coisas lá deles. Em Portugal uma pessoa quando sente uma alegria ou um desgosto usa um tom adequado, julgava eu.

Ora bem. Na sexta feira, estava num ‘minipreço’ qualquer e logo ao lado duas meninas estavam a arrumar as prateleiras sem me prestar grande atenção.
Pergunta uma:

-«Então, Sónia, o teu Natal, foi bom?..»
-«Foi. (e no mesmo tom) Só foi chato ter morrido a minha avó»
-«Ah! Do lado do teu pai ou da tua mãe?»
-«Da minha mãe; estas bolachas não devem passar para ali?»
-«É melhor sim, fica-se com mais espaço»
……………………
Não senhor. Não foi na tv, foi em Portugal e entre duas jovens pouco mais do que adolescentes. Nada as ligaria à Família Addams, eram bem bonitas, risonhas e alegremente vestidas.

Os sentimentos é que estavam num compartimento muito bem aferrolhado. Tão aferrolhados que parecia não existirem.


domingo, janeiro 10, 2010

Uma música ao Domingo

Pronto, tal como a semana passada, hoje a cantiga já estava escolhida: tinha de ser «AS JANEIRAS»!!!


sábado, janeiro 09, 2010

«Boas Notícias» ( ?)


Primeiro, falo como lisboeta, é claro! (para a malta do norte não terá graça nenhuma...)
Mas, depois de uns dias de um frio impressionante (sobretudo ontem, sexta, onde estivemos a gelar, desde que se estivesse parado...) a meteorologia avisa que hoje, sábado, pode nevar em Lisboa.

IUPI!!!

sexta-feira, janeiro 08, 2010

O fim do Natal

Entre os que gostam da época e os que não gostam, e até os que a acham «assim-assim», a verdade é que, sobretudo no ocidente, não se fica indiferente à época «Natal» (até como referi, para embirrar com ele...)
Muita «magia», os pais-natais que aqui há uns anos existiam só na fantasia infantil, hoje aparecem a tirar fotos nos Centros Comerciais, com meninos ao colo e até os vemos por aí aos montes, em tamanho reduzido, a subirem pelas paredes dos prédios, desdenhando da tradição da chaminé.
Mas sabemos que não é só esse aspecto (importante) das prendas aos meninos que se portam bem – mas, alguma vez, um que se tenha portado mal ficou sem prenda? – e com o andar dos tempos essa troca de presentes entre toda a gente causando a aflição dos lojistas quando a coisa não corre bem. É muito mais do que isso. É a preparação da comida nesses dias, que é sempre com uns manjares especiais, é o encontro entre as pessoas, que mesmo que se vejam poucas vezes por ano, nestas dias aparecem para dar um abraço, e é…. tá, tá, tá, tá, os enfeites típidos da época. Até as ruas se enfeitam com luzes, e até faz parte da tradição ir dar um passeio à noite para as ver acrescentando a nossa opinião, nem sempre simpática…
E sobretudo a nossa casa.
No meu caso, isto dura cerca de um mês.
Nos inícios de Dezembro, aproveitando os feriados, a casa transmuta-se por magia. E é engraçado que mesmo que dê trabalho, é sempre com muitos risos e grande paródia que se vai inventando enfeites novos, locais originais, ou procurando o local exacto daquele que é ‘sagrado’, tem de ser exactamente em determinado sítio …
E são vitraisinhos nas janelas, coroas de verdura nas portas de casa, uma mais espampanante para a porta da rua, montes de fios doirados ou prateados saindo dos objectos mais vulgares, estrelas, sinos, flores, velas, a casa parece que levou com uma varinha de condão das de boa qualidade. Até a luva de banho, neste período, é a cara do Pai Natal! :)
E já salto por cima do prato de resistência, que é o maravilhoso pinheiro, é claro! Nisso nem falo!
E vivemos um mês inteiro numa espécie de «casa encantada». Depois chegam «os reis». E o sonho tem de voltar para o baú…
Hoje, olhei para a minha casa e achei-a tão vazia… Ná. Tenho de dar uma volta a isto. Dinheiro para remodelações não há, mas sempre se pode mudar o lugar de um ou outro móvel, trocar um candeeiro de sítio, passar a usar uma louça que estava mais guardada, enfim, dizer adeus ao Natal, mas ao menos não regressar para a mesma casa que estava a habitar em Outubro. Talvez daqui a uns tempos, lá para fins de Fevereiro, tudo volte então à rotina.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Nos areópagos* internacionais

Como «o meu negócio nunca foram números» trocando a frase da famosa rábula do Jô Soares, fico muito baralhada quando exactamente os argumentos são todos à base de «números».
Uma contradição tão grande (grande em todos os sentidos!) deixa-me muito baralhada:
1º -
«Os países da União Europeia decidiram reduzir este ano para metade os aumentos salariais dos funcionários das instituições europeias.»
É coisa séria. Não é uma decisão que se tome de ânimo leve. É reduzir para METADE os aumentos esperados. E, é um caso interessante em que todos estiveram de acordo, todos à uma acharam que faziam muito bem e seria excelente para a economia.
É claro que se pode pensar (leigos, como eu) que ganhando menos certamente gastarão menos, comprarão menos produtos, e as empresas ganharão menos... Fica tudo mais poupadinho.

Porém a Comissão Europeia, também por unanimidade, decidiu levar a tribunal esses mesmo 27 países que tinham tomado tal decisão, porque ia contra a sua orientação
Que confusão.
E tudo sempre por unanimidade.
Possivelmente como estas coisas de Tribunais, mesmo internacionais, levam um tempo considerável a chegar a uma conclusão, quando vier a sentença já os aumentos foram normalizados porque entretanto já se passaram alguns anos.
Mas lá que faz confusão, isso faz.

* apeteceu-me escrever aéropago para se ver que sou uma moça letrada, além de que a palavra não se consegue levar a sério...


quarta-feira, janeiro 06, 2010

Histórias do meu bairro

De vez em quando falo aqui no meu Bairro. É um Bairro normalíssimo, não dos mais antigos, nem dos mais modernos, costuma entrar nas Marchas da Sto António mas não ganha nada, que me lembre... Ando ultimamente um tanto arreliada e neste caso nem é com a Junta nem com a Câmara, é mais com os meus vizinhos moradores que não têm nenhum cuidado com o que atiram para o chão e as ruas andam numa vergonha. Restos de comida, embalagens, papeis velhos, cocó de cão e de pombo, e muitas outras porcarias que nem vale a pena enumerar, dão aqui ao bairro um ar desmazelado e desta vez a culpa é mesmo dos moradores.
Mas estou a desviar-me do que vinham contar.
Depois de umas grandes discussões e polémicas entre a Junta e a Câmara, lá se conseguiu que dois cantinhos de duas ruas adjacentes, fossem programadas para ser ajardinadas e afastada a ameaça que muito nos tinha assustado de construírem ali um prédio enorme e completamente fora do padrão daquelas ruas.
Ufff...
O Boletim da Câmara, antes das eleições apressou-se a meter nas nossas caixas do correio a história toda da sua luta e vitória, explicando que ia ali surgir um belo «arranjo paisagístico». Tivemos de rir, perante a pomposa expressão, porque naqueles pequenos metros que iam ser usados o «arranjo» não podia meter lá grande paisagem...
Mas muito bem. O cantinho do lado esquerdo, avançou. Todo arrelvadinho, dois ou três arbustos, 3 bancos de jardim e uns pirolitos para os automobilistas não enfiarem ali os seus carros, a coisa ficou airosa. Gostei.
Ficámos então à espera do lado direito. Aí o espaço já era maior, tinha uma 3 árvores, e o terreno tinha uns altos e baixos que talvez desse para «um arranjo» mais imaginativo... O tempo passa, andam por lá umas máquinas a alisar a coisa (afinal a minha ideia dos altos e baixos era parva) e vai-se vendo à volta o empedrado do que vai ser o passeio. E a gente à espera. Já andavam por aqui umas bocas a dizer que a obra só ficava pronta nas próximas eleições municipais...
Mas de facto tinha havido algum movimento, que depois tinha parado. Estranho!
Ontem soube: a relva que iam colocar ali, igual à do outro cantinho à esquerda, era daquela que se vende em rolo, a metro. Portanto os responsáveis, lá tinham tirado as medidas, feito a encomenda e mandado descarregar a dita relva. Na sua inocência pensavam que era chegar no dia seguinte e plantar a dita. Pois sim. Pela calada da noite, uma outra camioneta e respectivos especialistas, gamaram aquelas toneladas de verde, prontinhas a ser plantadas e regadas. Foi como roubar uma alcatifa!!!! De manhã estava lá o sítio!
Portanto, por agora, ou se anda por aí por alguns campos de futebol a ver se reconhecem uma relvazinha recém plantada, ou voltamos à estaca zero, e o canto direito da minha rua continua um belo campo que talvez se pusesse uma vedação à volta e alguém a vender bilhetes daria para uns banhos de lama às senhoras que cuidam mais da sua estética. Dizem que faz bem. E era só lucro.
Pelo menos enquanto chovesse...