segunda-feira, agosto 31, 2009

Fim de férias

Wordle: Untitled

Wordle: ferias


Em preto ou em branco, ou seja... tudo tem duas faces.

Hoje é o meu último dia de férias (as GRANDES!) e amanhã volto à actividade, o que também tem as suas vantagens. Se estivesse sempre em férias, isso não se chamava férias, não é? Era um 'estado de ociosidade', digamos assim.
Que enjoo.

Portanto a partir de amanhã (e ainda hesitei se aproveitava ou não este último diazinho de Agosto) recomeço a agitação do dia-a-dia.
Contudo vamos aproveitar este último dia(zinho) que espero seja um grande dia!.

E faxavor de fazer bom tempo hoje, ó São Pedro!!!!
Não peço tanto calor como ontem é claro, mas que não faça frio. Quero levar saudades deste mês.


domingo, agosto 30, 2009

Poupadinho, heim?...

E depois há quem diga que o nosso SMN é pouco?! Que grande mentira. Quem o sabe gerir bem dá para tudo e mais um par de botas!

Vejam o nosso industrial (é industrial, não é?) Manuel Damásio.
Há 10 anos, ganhava o mínimo nacional, e hoje vai vender a sua casinha, por
15 milhões de euros.*
E deve valer isso, pela descrição que vem na imprensa.
Além de situada na Quinta da Marinha, sítio requintado, ela tem: «nove quartos, dois deles reservados para os empregados, 12 casas de banho, várias salas de jantar, uma discoteca com bar, ginásio, jacuzzi, duas piscinas, uma interior aquecida, outra exterior e um grande jardim»

Repararam que tem mais casas de banho do que quartos?
Gente asseada, aquela!
Tudo brilha de asseio.
Até mesmo o dinheiro deve estar lavadinho...



* Se ele me ensinasse como se faz...
Ficava muito agradecida. Confesso que ganho bastante mais do que o SMN, portanto deve ser ainda mais fácil!


Uma música ao Domingo

E a Rita Pavone?...

sábado, agosto 29, 2009

Boas Notícias

Não será uma «Boa Notícia» assim espantosa, mas devo considerar Boa Notícia, digna de figurar aqui nesta rubrica:
O Plano Regional de Vacinação, nos Açores, vai incluir uma vacina para crianças até aos dois anos contra alguns tipos de meningite, pneumonia e septicemia

Claro que é para alguns tipos dessas doenças, seria complicado abranger tudo, mas na minha opinião tudo o que seja Prevenção é de aplaudir.
E a vacinação é das prevenções mais simples.
A mortalidade infantil desceu dos níveis assustadores que tinha há 100 anos por causa das vacinas. E sabemos agora que nos Açores, os meninos mais pobres, aqueles cujos pais não tinham dinheiro para esta prevenção estarão protegidos.
Boa Notícia.


sexta-feira, agosto 28, 2009

Palavras pesadas

Para mim, na nossa linguagem há muitas vezes dois pesos.
Por um lado é o significado exacto e rigoroso da palavra, por outro aquilo que, de uma forma geral, ela invoca. Sabemos que nem sempre isso coincide.

A comunicação social deve ter muito cuidado com o modo como dá as notícias, é claro. E faz muito bem em evitar «acusar» seja quem for sem o tribunal o considerar culpado. Aliás, infelizmente, sabemos que nem sempre há essa cautela, podem não acusar directamente mas basta apresentar alguns factos de um modo mais ou menos tendencioso para influenciar a opinião pública.

Mas o que me anda a fazer confusão ultimamente é quase o oposto dessa posição.
Tornou-se agora moda, usar a palavra ‘alegadamente’ por sistema quando se conta uma história de polícia.
Ora, com rigor, se a palavra ‘alegar’ significa ‘emitir razões sobre um facto’, também nos evoca a ideia de ’desculpas’ ou ’pretextos’ e a verdade é que muitas vezes é logo isso que se pensa. É correcto, se um indivíduo foi acusado, contar-se esse facto com a cautela do ’alegadamente’ - a tal ideia de que somos inocentes até se provar a culpa.
Mas, com sinceridade, soa-me mal quando o ’alegadamente’ se aplica à vítima ou para ser mais rigorosa, ao queixoso (ou queixosa).
É que, nesse caso, a mensagem que nos chega, mesmo sem querer, é que aquilo que ele disse pode ser uma mentira. E até pode, mas isso ficará para depois ser provado.

A semana passada foi notícia os casos de duas raparigas que fizeram queixa de violação, mas como não havia ninguém da Medicina Legal para recolher as provas, e elas não conseguiram esperar todo o fim de semana por que esses técnicos voltassem a trabalhar, essas evidências não puderam ser recolhidas.
Contudo, nos dois casos, a notícia falava da jovem como «alegadamente violada».
Havia várias maneiras de dizer aquilo sem acusar ninguém, mas a mais fácil, que me ocorre logo, era referir: «queixando-se de violação». Porque isso era um facto, a queixa. As duas raparigas tinham-se queixado, tinham mesmo até feito uma participação na polícia.
É certo que a investigação depois logo concluiria se a queixa se podia materializar numa acusação a alguém. Mas a queixa, e pelos vistos com provas que só não foram recolhidas porque os médicos disseram que não era nada com eles, essa existiu.

O «alegadamente» serviu para deitar suspeitas sobre a sinceridade das queixosas e não gostei.




quinta-feira, agosto 27, 2009

Comércio tradicional

Na aldeia ao lado da minha, onde costumo fazer as compras:

Era um talho onde nunca tinha entrado. Estava habituada ao senhor Zé, mais abaixo e, sei lá porquê, nunca tinha entrado na porta daquele. Mas o talho do senhor Zé estava fechado. Não sei porque é, se vai fazer obras, se está reformado, não há nenhum papel a explicar. Portanto fui ao outro, um pouco de pé atrás.
Pois é, para quem costuma fazer as suas compras nos grandes centros, isto é outro mundo!
Via-se logo que era empresa da família. Um pai e uma mãe, dois rapazes. O casal até tinha fotografia, tamanho postal e encaixilhada em frente do tabuleiro com os frangos e os peitos de peru. Quanto os filhos não era preciso nenhum teste de adn que aquilo era a cara chapada dos pais.
Todos afáveis, simpáticos, sobretudo os rapazes. Amáveis sem se «fazerem engraçados» que é coisa com que não engraço. Como estava lá pouca gente e eu queria várias coisas vieram logo dois atenderem-me para não estar à espera! Um deles foi picar a carne que eu pedi, perguntando se queria só vaca ou vaca e porco e, no fim de estar picada, atenciosamente veio perguntar se queria que passasse outra vez pela máquina. Pormenores simpáticos. Quanto ao frango que comprei e pedi para cortar para guisar, pensou um minuto e disse-me que ia lá dentro buscar outros que aqueles eram pequenos, depois de guisados ficavam com muito osso. Voltou de seguida com um belíssimo frango que só pesou depois de tirar as pontas das asas e um bocado da gordura. Assim se captam fregueses, não é?
Entretanto tinham entrado mais clientes, senhoras da terra de mais do que de meia idade perto da tal terceira que falavam dos netos e metiam-me a mim na conversa, sentia-me em casa!
Como eu tenha ouvido falar de umas espetadas que lá vendiam, explicaram-me que não as tinham já feitas mas faziam-nas num instante, e portanto esperei sentada numa cadeirinha de braços que lá tinham para os clientes! E já no final o rapaz explicou-me que não sendo o volume muito tinha distribuído por dois sacos para eu não levar muito peso de um lado só.
Conquistada! Nunca por nunca um talho de uma «grande superfície» me tratava assim!
Este pequeno comércio quando é bom, é muito bom!

quarta-feira, agosto 26, 2009

Era de esperar

Li por aí que Cavaco vetou a nova lei sobre as uniões de facto
Normal. Nada de mais.
O que me surpreende a mim é a surpresa das pessoas. Quando se votou Cavaco, sabia-se que isso implicava muitas outras escolhas. Não sou bruxa mas isso foi sempre claro para mim. Penso que quem votou naquela personagem, tinha todos os dados para saber quem ele era, o que pensava, que atitudes tinha e quais as decisões que tomaria com os poderes que lhe iam dar.
O homem que «não tinha dúvidas e raramente se enganava», agora anda com várias dúvidas, mas apenas quando as leis que são aprovadas na Assembleia da República vão ao arrepio dos seus gostos. Lendo as suas razões - ou dos seus assessores, é claro - sobre esta Lei das Uniões de Facto, até parece que se estava a propor para aí umas enormes e fundamentais alterações. Mas não seria nada de muito especial e, com essa tal lei que foi vetada por ele, não se prejudicaria ninguém, tanto quanto li, e se quiserem podem confirmar, e podia beneficiar algumas pessoas. Claro que podemos ter a ideia de que regular essa união* vai um tanto contra os «bons costumes» é certo, mas eles são cada vez menos os que aceitam os «bons costumes» felizmente.
Huuummm… No país real, a verdade é que andamos a casar ‘oficialmente’ bastante menos do que a viver-se em uniões livres. Os costumes não gostam. A Igreja não gosta.
Hoje em dia, até quem casa ‘oficialmente’ já fez um ensaio geral de como é essa coisa de viver com outra pessoa. Se gostaram, avançaram para o tal casamento. Ou gostaram mas pensaram que assim estavam bem. Ou não gostaram, e a experiência ficou por ali.
E sabemos que tal atitude não se passa apenas em Portugal, muito pelo contrário. É uma onda geral.
Mas que Cavaco e as pessoas que ele representa esteja contra, nada de mais natural. Por isso é que votaram nele!


*a única possível aos homossexuais, que é o que aqui está em causa, é claro....

terça-feira, agosto 25, 2009

Os penduras do guarda-vento

Uma praia é um posto de observação do melhor.
De um modo geral, quando chego lá depois de cravar o guarda-sol na areia, estender a toalha, pôr protector solar e abrir o livro ou a revista que levo, faço uma pausa para olhar em volta e apreciar o que vejo.

E na verdade há sempre bastante para ver. Por exemplo, tenho reparado na quantidade de gente que não se rala nada em fazer publicidade a troco de um guarda-sol. Se olharem com atenção, em cada cinco guarda-sois uns dois ou três anunciam coisas de beber ou comer: café, cerveja, gelados, iogurtes, águas... (não digo as marcas para não fazer publicidade)
E
stou a brincar com isto mas, se calhar, se me oferecessem um também o aproveitava! O meu é muuuito velhinho, mas ainda resiste a tudo. Imagine-se que nem é de nylon, é ainda dos de lona e tem uma indicação de que é 100% de algodão! Aos anos…
Mas, recentemente, quero eu dizer o ano passado, decidi adquirir também um guarda-vento. A verdade é que muitas das tarde de praia ficam desagradáveis, não por não haver sol mas sim porque há demasiado vento. E isso resolve-se com três ou quatro paus unidos por bocados de pano que se espetam na areia e fazem uma barragem contra o vento.
Muito útil.

Ontem chegámos à praia, como sempre depois das 4 horas, e já não havia muita gente. Óptimo. Escolhemos um local simpático e lá plantámos o guarda-vento. Decidiu-se que aquilo chegava, a sombra que dava era o suficiente para nos protegermos.

Ao fim de uns 15 minutos de sossego entregue à leitura, oiço umas pessoas a falar com muita nitidez. «Que curioso» pensei «como aqui na praia os sons enganam. Até parece que estão aqui mesmo ao lado» e deitei uma olhadela para avaliar da distância a que estariam as pessoas cuja conversa estava a ouvir tão bem. Em redor não via nada até que o meu olhar se aproximou. Era uma família, dois adultos e duas crianças, que tinham estendido as suas toalhas mesmo encostadinhos ao outro lado do meu guarda-vento!!!

Que eu saiba é coisa inédita, a cortesia das praias costuma ensinar que nos devemos instalar a uma distância razoável dos nossos vizinhos. E decerto que havia espaço de sobra no resto da praia, simplesmente eles decidiram aproveitar dos benefícios do meu guarda-vento.

Deu-me um ataque de riso que, obviamente, ouviram sem se ralar lá muito…
E lá foram aproveitando daquele cantinho resguardado enquanto eu, que desejava algum silêncio para ouvir o som das ondas - a única coisa que se devia ouvir nas praias - fui brindada com a tagarelice desinteressante daquela família, separada de mim apenas pela distância de uma lona!


segunda-feira, agosto 24, 2009

Sinalização, precisa-se!

Na quinta-feira falei aqui de um passeio que dei e onde me perdi. Mas prometi a completar a história. Então, «foi assim»:

Aquele caminho é conhecidíssimo. Não vou dizer que o faço de olhos fechados, que isso não convém fazer quando se vai a conduzir, mas a verdade é que já o fiz centenas de vezes e conheço-o muito bem. Quando digo conheço, é a estrada em si, é um facto que os arredores não domino. Mesmo nada!
A tal estrada tem trânsito, sobretudo ao fim de semana, e a autarquia vela por nós. Aquilo tem vários avisos para não ultrapassar os 60 quilómetros, ou os 50, ou os 70 (a coisa varia ao longo da estrada) e, para fazer cumprir a ordem, tem também muitos semáforos, daqueles que passam a vermelho se não obedecemos. Está bem.
Para além, disso desatou a construir rotundas. Que eu possa contar já lá cantam umas 3 ou 4, mas devem ter ponderado que ainda não chegavam (ou sobraram alguns trocos no fim do ano) e lá estão obras para mais outras 3 rotundas.
OK. Aceito. Eles mandam e deve haver para aí estudos a dizer que aquilo faz abrandar a velocidade…
O pior é que o orçamento se esgotou nos caterpillars e escavadoras e não sobra quase nada para deixar avisos a quem quer passar por aquela estrada. Minto, há um aviso, amarelo, a dizer «DESVIO». Muito bem, mas desvio para onde e por onde?…
É que a partir do primeiro desvio entra-se num mundo que nos faz lembrar a «Alice no País das Maravilhas». A gente «desvia-se» e vai dali a pouco dar a uma outra rotunda em construção. Linda, com seis saídas. Começamos a contornar aquilo devagarinho à procura de uma placa que nos indique o caminho para a terra que desejamos. Não há. Quatro das saídas têm sinal de sentido proibido, uma foi por onde viemos. Bom, deve ser a outra, pensamos. Metemos por ela, andamos um bocado e... voltamos à placa amarela que diz «desvio».
Não pode ser!? Tornamos a fazer o mesmo caminho. Chegamos ao tal redondel e já lá estão dois carros a andar à volta. Decidimos ir atrás deles, parecem tão perdidos como eu, mas enfim… Acabamos todos por enfiar por um caminho estreitíssimo de terra batida e dali a pouco vejo de novo a placa amarela a dizer «desvio». Falha-me o coração! Ah não, esta é outra, é mais pequena. É capaz de ser por aqui.
Entretanto os outros carros foram-se mas eu, corajosa, avanço. Ando 10 minutos sem qualquer indicação e depois encontro um poste todo torto indicando umas aldeias que não conheço de lado nenhum.
Bolas, não deve ser por aqui.
Mais uns quilómetros e uma placa verde indica «Farmácia». Ainda bem que há, mas eu queria era a estrada. Passo por uma terra onde não se vê vivalma, continuo a andar e acabo por encontrar uma placa que indica, em sentido contrário, a cidade de onde eu tinha vindo. Mas nada que sugira o caminho para onde quero ir. Continuo a andar, felizmente o depósito está cheio, e... cá está de novo a placa amarela a dizer «desvio». Desta vez ao contrário. Deve ser para os desgraçados que vão para a cidade de onde eu venho…
Placas indicadoras, nem pó. Mas, pouco mais à frente, vejo uma outra verde a indicar «Farmácia». É a segunda naqueles 20 minutos.
Em desespero de causa penso «vou à Farmácia perguntar o caminho!» mas quando entro na povoação, a feliz possuidora da Farmácia, vejo o tal ecoponto com o senhor amável cuja bela informação já contei.
Fim da primeira parte (o resto está no outro post)
Brevemente, só quero acrescentar que à volta, noite escura, regresso com umas indicações mais seguras, mas tive de passar pelas mesmas rotundas e, se a estrada normal está iluminada a zona das obras está mergulhada num negro de breu. Não se vê nadinha! Imagina-se o que é uma rotunda com muitas saídas, sem indicações e sem se ver nada?! Quando dei por mim tinha voltado para trás sem querer e estava outra vez junto terra dos meus amigos…
Por favor! Se fizerem um peditório para comprar placas, eu dou, eu dou!!! Só não quero voltar a passar por aquilo.


domingo, agosto 23, 2009

A fobia da gripá



Querem espaço, na praia, quando as toalhas na área mais agradável estão muito juntas?

E já experimentaram dar um espirro?

OK, digo-vos que é sensacional.

Aaaaaatchim!
Ainda o espirro não acabou e já o círculo de 10 ou 20 guarda-sois à nossa volta está em alerta máximo a olhar para nós.

Atchim?!
«Bem, o melhor é afastarmo-nos uns bons metros para longe», pensam eles!
E já está!


As fobias têm estas vantagens, agora é só cravar o chapéu na areia e estender a nossa toalha.

Uma música ao Domingo

Colaboração dos amigos.
Desta vez foi a Saltapocinhas que se lembrou destes:




(em karaoke, para quem se atrever!)



sábado, agosto 22, 2009

Boas notícias ideias


Li que o Palácio de La Moneda, no Chile passou a ser aquecido e iluminado por painéis solares.

Não seria uma ideia interessante a utilizar cá?
Não apenas em Belém, mas nos edifícios públicos.
Economizava-se e dava-se o exemplo. Pouco a pouco a energia ia passando a ser mais natural e sol é coisa que temos em abundância.

Outra coisa que não será uma Boa Notícia como as que tenho aqui referido mas nos faz pensar é aquilo que disse, muito bem, o José Palmeiro: Nélson Évora, foi um CAMPEÃO!
Não ganhou o Ouro, ganhou a Prata, mas com um fair-play que só nos pode orgulhar.
Muito bem, Nélson!!!


sexta-feira, agosto 21, 2009

A questão da saúde mental


Por um lado não me apetece tocar neste assunto que é demasiado angustioso e sem solução à vista. Mas o certo é que comecei por escrever alguma coisa, depois apaguei tudo e recomecei a escrever sobre outro assunto menos ‘pesado’ mas reflecti que era uma atitude de avestruz - não era por mudar de assunto que deixava de me preocupar, e cá volto.
Li no jornal que está em curso - ainda e sempre - a «reforma da saúde mental». Tanto quanto me lembro, e já ando por cá há uns anos, temos andado sempre a tratar da reforma da saúde mental. Já muitos psiquiatras, dos que mais lutaram por isso, se reformaram e outros até morreram e continuamos a tratar da abençoada reforma.
A verdade é que se fecham hospitais psiquiátricos, o que não é nenhum mal. Sabe Deus as condições que muitos deles tinham, e decerto que a ideia de que um doente mental ficará melhor enquadrado num ambiente «normal» está correcta. Desde que lhe sejam dadas condições !!!
Esse é o ponto chave.
Não é de hoje que há planos e até existem casas, com o apoio da Segurança Social, umas pequeninas ‘repúblicas’ com meia dúzia de quartos, onde outros tantos doentes mentais ‘estáveis’ fazem uma vida normal, desde que haja um vigilante que pernoite lá e vigie os medicamentos.

Mas são umas ilhas.
Umas pequeninas ilhas no imenso oceano estagnado dos cuidados de saúde mental.
A verdade é que, na generalidade, como esses doentes não podem (nem devem, creio) ficar hospitalizados mas por outro lado é impossível se na família todos trabalham ficaram na sua casa, a solução encontrada é enviá-los para lares.
Quando no final do mês passado a comunicação social falou no encerramento de um Lar na zona de Rio Maior, fiquei siderada. É que eu conhecia pessoalmente esse Lar por lá terem estado duas familiares minhas. Foi há mais de dois anos mas o Lar tinha sido sinalizado na altura por uma assistente social do Hospital de Santa Maria, ou seja julgávamos que havia garantias.
Mas o certo é que apesar das instalações serem boas, sentimos logo que havia muito falta de pessoal e estas minhas familiares queixavam-se exactamente de que eram incomodadas por pessoas desequilibradas que até as assustavam bastante. Quer eu quer a filha tentávamos aligeirar a coisa e aconselhar a que não ligassem importância mas era muito desagradável.

Bem, por aquilo que li na primeira notícia, esses doentes mentais foram agora para o Pisão. E aqui, num quarto de 4 estão 12. «As pessoas são despejadas e abandonadas à sua sorte. É pouco mais do que um albergue para comer e dormir» dizem.
Parece um ciclo infernal, não é?
Saem de um mal para passarem para outro igual. É esta a reforma da saúde mental?


quinta-feira, agosto 20, 2009

Clareza (...)

Ontem fui dar um passeio.
Nada de mirabolante, um passeiozito a sítios onde já fui vezes sem conta.
Mas acontece que no caminho para lá havia obras, pelo que entendi mais duas ou três rotundas para ‘travar a velocidade’ dos automobilistas (numa estrada não muito grande onde, pelas minhas contas, já lá há umas cinco…) e na confusão dessas obras sem sinalização enfiei por uns caminhos desconhecidos e … perdi-me!
(Fica para outra próxima conversa o desabafo sobre a péssima sinalização das obras na nossa terra, não que elas não estejam sinalizadas mas não dizem como se sai dali!)
Bem, perdi-me.
Não tenho GPS.
Felizmente não tinha uma grande pressa, porque apesar de ter combinado uma hora para me encontrar com uns amigos estávamos todos em férias e os atrasos não tinham importância.
A verdade é que primeiro tentei orientar-me pelas placas de sinalização que não me ajudaram nada. Mesmo nada, como hei-de contar. Desisti. Parei o carro junto de um senhor de aspecto simpático, que era dali de certeza porque estava em calções a despejar embalagens num ecoponto, e pergunto-lhe o caminho.
- «Está perto. Vai já por esta aqui em frente, anda um pouco e vira à esquerda, deixa passar dois cruzamentos e vira à direita e depois logo à esquerda. Vai em frente até ao fim dessa rua e vira à direita. Depois da curva vira outra vez à direita. Segue em frente e vira na segunda à esquerda. Depois disso vira na outra à direita, e vai sempre a direito nessa estrada»
Era simpático.
Mas um desastre a dar explicações. Como seria de esperar, voltei a perder-me e fui dar a outro sítio desconhecido (ontem fiquei rica em ‘sítios desconhecidos’) Vejo um rapaz novo, de boné, talvez de aspecto menos ‘certinho’ do que o senhor do ecoponto. Explico-lhe que estou perdida e queria apanhar pelo menos a estrada importante que tinha como referência.
- «Sim. Vira já aqui e depois segue sempre em frente»
E não é que pouco depois vi brilhar ao longe a água do rio que me servia de bom ponto de referência? Respirei muito fundo, sabendo onde era o rio não tinha dificuldades, essa é uma sinalização que não falha.

Estava meia hora atrasada!

quarta-feira, agosto 19, 2009

Moscas

(Moscas? Devem vocês estar agora a pensar. Ela não deve ter mesmo nenhum assunto para vir perorar sobre moscas!… Mas enganam-se, já vão ver!)

Agosto, em pleno Verão, o que há mais são moscas.
No campo, sabemos bem que o que há mais são moscas.
Ou seja, Agosto, no campo... é uma praga.

E, a verdade é que ninguém gosta delas…
Há quem só embirre um pouco, quem embirre muito, e todos nós tentamos afastá-las de diversos modos.
Isto para dizer que a luta contra as moscas, que poisam em cima de nós, que poisam na comida, que deixam as suas ‘marcas’ nos quebra-luzes, nas cortinas, até no ecrã da tv é o meu desporto de Verão.
De tal forma isso é que aqui na minha casa tenho aquelas pazinhas mata-moscas em todas as divisões da casa, e até me dou ao requinte de fazer condizer esses ‘mata-moscas’ com a cor da divisão - tenho um vermelho na sala, azul no quarto, amarelo na cozinha, verde na casa de banho… Não será por falta de arma de agressão que não combato as moscas, mas elas por um lado multiplicam-se e por outro fogem airosamente quando as ameaço.
E uso esse velho utensílio porque me parece ainda o mais ‘ecológico’ e de certa forma o mais leal - sou eu contra a mosca, eu sou maior mas ela é mais ágil. Mas como já expliquei aquilo é mais ‘ameaça’ porque elas fogem sempre.
Ora ontem, estava eu na cozinha e elas zumbiam à minha volta que a comida cheirava bem. Cheirava-me bem a mim e, não sei se elas têm nariz, mas lá que o cheio as atraía parecia mesmo! Já farta pego na arma de ataque e zás!!!
- «Ai, que horror!» gritei.
- «Que foi?» veio perguntar a correr o meu filho.
- «Matei uma mosca!»
- «Atão?! Não era isso que querias?..»
- «Pois queria. Mas agora faz-me impressão vê-la esborrachada na parede, tadinha...» e fui a correr buscar um esfregão para limpar.
É assim.
Complicado, não é? Nunca estou contente. Ou porque as moscas picam, ou porque as mato.




terça-feira, agosto 18, 2009

Títulos (de artigos de jornais)

Ou «parangonas», que mesmo que o não sejam soam como tal.
De vez em quando bato nesta tecla, mas a verdade é que não resisto. Faz-me impressão, até porque sei e falando por mim própria, que muitas vezes as pessoas, das notícias só lêem os títulos.
Tantas e tantas vezes! Estamos com pressa ou com interesse noutra coisa e passa-se os olhos pelas notícias, assim, por alto, deixa-cá-espreitar-os-títulos...
E a verdade é que ler um título não é ler a notícia, como sabemos, mas cai-se na armadilha!
Ainda ontem, ao fazer uma passagem pelas notícias na net, vi que as suspeitas de negligência médica sobem 600%
Uma pessoa fica arrepiada! Um aumento de seiscentos por cento?... A primeira ideia que nos vem à cabeça é que é um perigo cair nas mãos de um médico. Livra! De repente ficaram uma cambada de incompetentes e distraídos. Algo de muito grave se anda a passar.
Contudo, no corpo da notícia, ficamos a saber que «o Ministério Público está a investigar 80 casos». A investigar.
É evidente que é grave, e se um caso se passasse comigo ou um familiar eu estaria na linha da frente a exigir esclarecimentos, castigos, indemnizações. Alguns casos chegam aos jornais, porque os tenho lido, e chocam-me muito. Mas, ao ler mais 600 % a ideia que se tem não é de que o número original - de há 8 anos - era de cerca de 30 casos e portanto 30, mais 30, mais 30, mais 30, durante oito anos se chega aos 600%; quem leia apenas o título fica com a vaga noção que isto se passou de um ano para o outro e o número de negligências torna-se assustador.
Mas é apenas uma questão de escolha de título. A mesma notícia no DN, de onde aliás foi tirada, tem outro título muito menos bombástico e verdadeiro.
Eu sei que é matéria grave. Sei que não se pode discutir números porque UM caso que exista já é demais. Sei que se pensa que, de uma forma geral, os médicos têm uma consciência de classe muito forte e algum corporativismo e por isso é difícil investigar certos comportamentos e erros, mas haja calma. Se estes números correspondessem à imagem que deixam, até a Ordem teria vantagem em limpar essa imagem.

E talvez os jornalistas também.
É que 'a sensação' não é tudo.

segunda-feira, agosto 17, 2009

«Falar verdade a mentir» ou as redes sociais na net

Quando era adolescente, no grupo de teatro do meu liceu representei “Falar verdade a mentir” e foi uma experiência formidável que me fez passar a adorar o teatro, gosto que me durou a vida toda. Peça ingénua, própria para jovens do liceu do meu tempo e que nunca esqueci, como é natural.
E as relações entre a ‘pura verdade’ e a ‘autêntica mentira’ sempre me tocaram. A verdade é que a vida de todos nós é um novelo de mentirinhas, insignificantes, mas quem afirmar que não o faz… está a mentir. É a vida em sociedade. Normal.
Ontem, numa muito rápida vista pela net, encontrei um post do Charquinho que falava sobre a importância de usar um nick e a sinceridade que se pode, ou não, usar na net, a coberto desta ‘espécie de anonimato‘. É um tema que volta não volta quase todos os blogger abordam porque existe a ideia de que esta capa de ‘invisibilidade’ permite soltar sentimentos e emoções muito fortes que em sociedade estão controladas e reprimidas. Não direi que não, mas por mim não acredito que tenha a força que se diz. Na nossa vida não virtual podemos sempre, melhor ou pior, ‘mascararmo-nos’ e mostrar de vez em quando uma nossa faceta diferente. Quem é que nunca o fez?
Claro que a net torna essa coisa mais fácil.
Mas quando pensamos nas famosas «redes sociais» da net é que a coisa parece um desafio à sinceridade ou falta dela. Eu nunca tive muito jeito para isso. Há uns largos anos tempos recebi um email a dizer «João F. quer ser teu amigo» e pedindo para clicar lá num sítio, se aceitasse esse pedido. Estranhei, porque o João F. era meu amigo, era assim como aceitar um anel de noivado do nosso marido. Mas obedeci e cliquei lá, tendo assim entrado numa coisa chamada hi5. Como depois me pediram vários dados pessoais e o meu amigo João já os sabia, dei um passo ao lado e baralhei um tanto as informações que eram indispensáveis e as que o não eram simplesmente não as dei.
Desde aí, recebi mais uns tantos ‘convites’ do Plaxo, Wayn e, creio mas não estou certa, que também da facebook, Myspace, Orkut… A Plaxo e Wayn, esses tenho a certeza de ter sido convidada porque, como vinham de outros bons amigos meus, aceitei e estou sempre a receber mensagens de pessoas que vão entrado e querem «ser meus amigos». É uma grande fila. E fico sempre embaraçada, porque nestas três redes baralhei os dados que lá deixei, mas vi que há muita gente que é sincera e até deixa fotos suas e tudo. Sinto-me um tanto mal, como a espreitar por uma janela para uma sala iluminada estando eu na sombra. Mas é certo que quem lá deixa dados pessoais sabe que elas passam a ser públicos, não é?
Nesta caso como posso «falar verdade a mentir»? Ou «mentir a falar verdade»? É um falso dilema, é claro, porque o mais fácil deve ser apagar esta coisa toda e não ligar à simpática mensagem «X quer ser teu amigo»
Mas é difícil. Afinal não tenho assim tantos amigos que me dê ao luxo de deitar fora quem venha oferecer a sua amizade sem me conhecer de lado nenhum.
Oh que dilema!


domingo, agosto 16, 2009

Uma Música ao Domingo

Tinha escolhido uma música para hoje.
Mas... tinha-me esquecido de que este Domingo é 16 de Agosto. Foi exactamente a um fim de semana faz hoje quarenta anos, a 15 a 16 de Agosto de 1969, que se deu um acontecimento musical e não só, o inesquecível do Festival de Woodstock.



O Festival que marcou uma época e uma geração. Estava-se em guerra (estamos sempre em guerra, até parece) mas havia quem gritasse que era melhor fazer amor do que fazer guerra, e partisse numa cruzada com flores no cabelo e guitarras e canções. Estiveram lá mais de 500.000 pessoas.
A lista dos cantores é enorme e difícil escolher um.

Por exemplo, a guitarra de Jimi Hendrix.



Ou a voz de Joan Baez "We Shall Overcome" (... we shall live in peace, some day) :

sábado, agosto 15, 2009

Boas Notícias


As «Boas Noticias» de hoje são da área da investigação médica, o que interessa a todos com certeza. Ter-se saúde é um desejo que acredito que todos partilhamos.
E encontrei logo duas!
Por um lado foi identificado o composto que mata células estaminais do cancro, células que podem ser responsáveis pelo crescimento de um tumor maligno e pela sua resistência à quimioterapia e radioterapia. Pareciam invencíveis mas descobriu-se um produto que as pode atacar.
Boa!
E ainda se encontrou um modo de tratar uma forma de cegueira congénita com bons resultados Pelo menos o que a notícia refere é que em 3 casos o tratamento resultou e esses jovens de 20 anos podem começar a ver.
Boas Notícias para o sábado, como eu gosto.


(em férias os fins-de-semana têm outro sabor...)




sexta-feira, agosto 14, 2009

Coisas simples

Ontem o Público trazia uma cronicazinha do Miguel Esteves Cardoso, escrita com bastante graça, falando de limonadas.
Dizia ele que tinha a ideia de que tinham desaparecido em Lisboa os locais onde se podia tomar uma limonada. Uma simples limonada. A bebida com apenas o sumo do limão, água, gelo e açúcar. Depois, quando se preparava para escrever sobre esse ‘desaparecimento’, tema em cheio para o calor que tem feito, lembrou-se de consultar a «Dona Internete», segundo a sua expressão brincalhona, e descobriu que afinal a antiga «Tendinha», junto ao tribunal da Boa Hora, onde se bebiam umas belíssimas limonadas, afinal ainda estava aberta e de boa saúde.
Contava-nos depois como é difícil encontrar por aí um sítio onde se possa tomar alguma coisa tão simples como uma
boa limonada.
Não posso concordar mais.

Se há coisa que me tire a sede é uma limonada. Até muitas vezes uma gotas de sumo de limão num copo de água já ajuda a sentir menos sede. Mas, contudo, a maioria das pessoas bebe bebidas engarrafadas, muitas vezes gaseificadas ou, mesmo que o não sejam, pelo menos com imensas drogas sintéticas, que lhe dão uma bonita cor e um bom aspecto mas, se tiram a sede na altura, pouco depois está-se na mesma ou pior…
E caro, é claro, que esses líquidos nas suas bonitas embalagens têm de ser bem pagos e dar lucro a quem os fabrica. Por outro lado quando se tem o atrevimento de pedir algo de simples mas que dê um pouco mais de trabalho do que usar um descapsulador, a maioria das vezes chocamos com uma expressão enfastiada ou nem entendem aquilo que pedimos.

Há uns tempos, numa tarde muito quente, entrei com uma amiga num café muito elegante e pedimos uns masagrans.

«O quê?!» escandalizou-se a menina que nos veio atender.

«Dois mazagrans, se faz favor.»

«Ah, isso não temos! Não quer um néctar de ****?»

«Não, queríamos dois mazagrans», teimámos nós.
«Mas não há!»

«Paciência. Nesse caso traga-nos duas bicas e dois copos de água gelada com duas rodelas de limão. Já agora umas pedras de gelo também.»

Quando voltou com o nosso pedido despejámos o café nos copos e juntámos o gelo. Estava feita a tal bebida exótica que o café não tinha…

E saiu mais barato, porque afinal só pagámos o café!