segunda-feira, julho 06, 2009

Outros tempos, ou outros feitios

Tenho andado há alguns dias a pensar numa coisa.
Eu ainda sou do tempo (e talvez vários dos que me lêem) em que grandes figuras do pensamento, da arte, da ciência, enfim daquilo que era ‘inteligência’ em Portugal, se via obrigada a imigrar por não ter cá as mínimas condições de trabalho, quando não teriam até que fugir devido a perseguições que lhes faziam.

Tantos e tantos nomes. Atrevo-me até a dizer que o contrário era raro: um grande intelectual, digno desse nome, e que estivesse bem integrado no Estado Novo, fosse por ele apoiado, e tivesse grandes facilidades. Esses casos contavam-se pelos dedos.
Todos os outros lutaram com grandes dificuldades.
Lembro-me de figuras bem gradas que foram viver para França, para a Itália, para a Inglaterra, para os Estados Unidos, para o Canadá, para o Brasil... E, lá longe, quase sempre continuavam o combate por uma maior liberdade, por mais dignidade, pelo direito de opinião. Não me estou a lembrar de nenhuma dessas figuras de exilados contra sua vontade, que publicamente renunciasse à nacionalidade portuguesa por estar em desacordo com o governo deste país, nesse tempo. Creio que alguns até optaram por dupla nacionalidade, mas não sei de quem se tenha voluntariamente excluído da sua pátria de origem, quem por discordar do Salazar decidisse que já não queria ser português.
As notícias informam-nos agora que a pianista – brilhante, sem dúvida – Maria João Pires, que tem já duas nacionalidades vai renunciar à nacionalidade portuguesa e passar a ser apenas brasileira. Está tão zangada com as maldades de que tem sido vítima por parte de quem toma decisões na terra onde nasceu que não apenas se foi embora como nem sequer quer continuar a ser portuguesa. Na base desta decisão, dizem estar a falência do seu projecto de Belgais, sobre qual não tenho muita informação.
Muitos artistas são famosos pelos seus caprichos. Maria João abusa desse estatuto.
Da única vez em que estive mais próxima dela do que numa sala de concerto, foi certa vez em que estive na organização de uma festa onde ela tocaria uma ou duas obras, um evento onde a colaboração era «pro bono» E, alguns de nós, encarregues do apoio necessário, que ia desde levar para lá o piano (que tinha de ser de determinada marca e estar numas certas condições, o que se entende apesar das especificações serem de um enorme pormenor) àquilo que era indispensável estar no camarim, que era um rol bem comprido. Nessa altura fiquei com a ideia de que todos os artistas eram assim, mas mais tarde percebi que ela era especialmente caprichosa…

Quanto a Belgais já disse que não tenho muita informação sobre isso. Acredito que ela se sinta muito frustrada, se foi um sonho que não se realizou. Até aí consigo sentir empatia porque que também tenho lutado com muitas frustrações que me deixaram bem infeliz.

Mas, sinceramente, faz-me muita impressão que, por esse motivo, se dê uma bofetada desta violência em todo um povo - considerado não ser digno de ela ser sua compatriota - por uma pessoa que se sente maltratada pelo Governo Português.
É uma grande artista, de enorme sensibilidade.
Talvez demais.


Desterrados, há de muitas qualidades...


domingo, julho 05, 2009

Uma música ao Domingo

Hoje a «música» é mais do que Música.
Uma homenagem e uma lembrança.



sábado, julho 04, 2009

Cor no Pópulo

.... cor e uma louca imaginação.
Este homem foi fantástico!
(a raiz de 'fantástico' é a mesma de fantasia, não é?)

Vantagens

A «boa notícia» de hoje é pequenina mas interessante.
Parece que a partir do ano que vem (2010) os carregadores de telemóvel vão passar a ser de modelo único.
A ideia é poupar, evitando que se deite fora um carregador usado sempre que se compra um telemóvel novo. Dizem que são milhares de toneladas de detritos que se vai evitar com essa medida.
Por outro lado, mesmo na perspectiva individual, é uma coisa boa. Escusamos de andar carregados com aquele apêndice quando se calcula que a bateria está com pouca carga. Se estivermos em casa de amigos, ou no trabalho ,ou em qualquer local onde exista um carregador, é esperar que o dono seja pessoa simpática e nos deixe utilizá-lo.
Prático, heim?
Menos lixo tóxico, e andamos mais leves.
....
Agora só faltam os carregadores de computadores portáteis. Vai ser a cruzada seguinte, mas infelizmente ainda não foi desta.
É que com aquele peso acabam por ser pouco portáteis...

sexta-feira, julho 03, 2009

Abafado


O tempo anda mau.

Os tempos.
O nosso tempo e o clima. Desta vez decidiram coincidir.
Dia sim dia não, apesar de fazer calor, o céu está escuro, o ar pesado, sentimos a humidade, custa-nos a respirar. Está abafado! Um clima tropical sem os benefícios de se estar os trópicos. Sei que nos Açores, de um modo geral, se vive com um clima semelhante, quente mas com nebulosidade. Em Macau, os anos que lá passei, idem aspas. E em África temos muitos dias destes. Isto, pela minha experiência.
Mas não me lembro de aqui, no Continente, no mês de Julho, já a beirar o Verão, tivéssemos chuvas que forçam os bombeiros a andar num virote e, alternadamente, dias cinzentos e com uma humidade que nos faz o suor a escorrer costas abaixo, e outros dias de céu azul a desafiar para a praia e para passeios na frescura do campo.
O clima, aquele que os meteorologistas prevêem, anda assim, com mau feitio.
E o outro também.
Parece termos caído todos dentro de uma gigantesca metáfora.
Andamos abafados. Sem vislumbrar saída.
Temos eleições dentro de pouco tempo, mas poucos acreditam que daí venha a solução. Nos últimos anos habituamo-nos a esperar pelos fundos comunitários mas, segunda a velha parábola, se esperamos que nos dêem o peixe em vez de aprendermos a pescar ficamos eternamente dependente dos outros. E, se no mundo de hoje não se pode viver em perfeita independência, todos dependemos de todos, isso tem de ser um movimento com dois sentidos.
Não é isso que se verifica.
Um sufoco, sim.
Andamos completamente abafados.

Que falta de ar!

Cada vez mais devagar...

Se o discurso «anti-função-pública» tem um eco tão positivo numa considerável fatia da nossa população, é porque muita gente vê a PF como um rebanho de execráveis burocratas que, nas suas secretárias, vão carimbando cópias de cópias de cópias, de documentos já de si inúteis. Ou umas senhoras enfadadas e antipáticas que atrás de guichets atendem mal o cidadão enviando-o de um lado para o outro como bola de ping-pong.
É claro que essa fauna existe. Não sei se hoje serão muitos, mas existem. (e quem deveria ser 'reciclado' eram os seus chefes a cujas ordens eles obedecem). Contudo a maior parte de quem recebe o seu ordenado do Estado está nos Hospitais, está nas Escolas, está nas Forças de Segurança. O que quer dizer que quando se «emagrece» à força a FP, se está a «emagrecer» essa resposta social.
O Ministro da Justiça desculpou-se com a falta de ‘luz verde’ das Finanças. Estamos habituados a isso. Mas na prática, o que pode vai suceder é que se os processos já demoram aquilo que se sabe (muitas vezes a Justiça chega quando já não faz falta) vão passar a demorar ainda mais.
E nós resignados.
Nesse mesmo dia li uma declaração do fogoso Bastonário dos Advogados a chamar a atenção para que no difícil caso Madoff os factos tinham sido recolhidos, analisados, e o arguido julgado e condenado tudo em pouco mais de seis meses (!!!!!)
É outra coisa, não é? E, que eu saiba, a Justiça por lá ainda não é privada...

A notícia do dia

O Senhor Ministro da Economia e Inovação demitiu-se.

Poderia ter sido por reconhecer que o 'Estado da Nação' era mau.
Não.
É porque em pleno Parlamento fez uns cornos à oposição.
(foi um ministro do nosso governo, não é o de uma república sul-americana)
Acredito que ele quisesse sair, que isto anda a meter muita água mas, francamente, é oferecer a arma de bandeja aos adversários...




Já agora dêem uma olhadela à sugestão do Farpas!!!!

quinta-feira, julho 02, 2009

«Machos alfa»

Aviso já à cabeça que este pode ser um post antipático para algumas pessoas. Tenho andado até a moer, se escrevo ou não isto em que ando a pensar, porque receio vir a ser mal interpretada. Mas, muito recentemente, apanhei com mais três casos tão típicos, e característicos deste modelo de comportamento, que não resisto, e cá vai:
Sabemos que desde a grande guerra, a mulher entrou no mercado do trabalho. Primeiro lentamente, só enquanto ‘era preciso’, depois mais afoita, e hoje olhamos à nossa volta e vemos raparigas e rapazes a preparem-se para uma profissão, independentemente do seu género. É natural, vulgar. Há ainda uns ajustes, a igualdade nesse campo não é perfeita mas, na generalidade dos casais que conheço, trabalham os dois como algo perfeitamente natural.
Contudo, sobretudo em casais um pouco mais velhos, encontro um modelo de vida extraordinário. Muitas vezes têm contas separadas - mesmo que haja uma conta comum, cada um tem a sua «conta-ordenado» por exemplo. E, curiosamente, é a mulher que se encarrega não apenas de gerir a casa [o que é uma tradição aceite por elas de bom grado (??) ou pelo menos sem grandes queixas] como também de cuidar dos pagamentos necessários. Vai às comprar da alimentação, higiene, limpezas de casa, e ao chegar à caixa paga ela (este tipo de marido não a acompanha, nem faz a menor ideia do preço das coisas). As contas da electricidade, água, gás, a televisão, são pagas por ela, a empregada que lá vai passar a ferro ou aspirar o chão é responsabilidade económica dela, e por aí fora.
Este tipo de marido cuida do carro, paga a prestação e a gasolina, compra as suas roupas, ou quando vão jantar fora paga a conta do restaurante porque até parecia mal que o não fizesse…
Como eu disse, ao longo dos anos tenho encontrado vários casais deste tipo. Bons rapazes, simpáticos, divertidos, não é isso que está em causa. Não o fazem por mal. A mulher muitas vezes é até um pouco ‘mãezinha’, protectora e carinhosa e, sobre muitas coisas de casa, ele explica, risonho, «ela é que sabe!». Ele não precisa de saber.
Ele trata e sabe das «coisas de homem». A lavagem do carro. As marcas da cerveja. O preço do bilhete de futebol. O jornal de Domingo.
Desculpem-me a sinceridade, mas ele sabe, interessa-se e paga, os… extras! Muitos destes homens se um dia a mulher lhe desse um amok, fizesse as malas e desaparecesse com o seu salário e a sua contabilidade doméstica, não conseguiam sobreviver sem cair no maior descalabro.
Ainda há poucos dias estive a ouvir um destes casos. E passou-me pela cabeça que se alguém dissesse àquele santo homem que ele anda a viver à custa da mulher, e isso há muitos anos, ele caía logo ali redondo no chão! Dava-lhe uma coisinha má, ser comparado àqueles que fazem profissão de viver do trabalho das mulheres, mas… a diferença é só moral. Na prática, é igualzinho.
Eles são muito machos. Lá isso…

quarta-feira, julho 01, 2009

Pela negativa

"Rasgar", "repudiar" , "romper" diz agora Manuela Ferreira Leite.
Ela já foi Secretária de Estado do Orçamento (há 19 anos).
Já foi Ministra da Educação (há cerca de 18 anos, no XII Governo Constitucional).
Já foi Ministra das Finanças (há 8 anos, no XV Governo Constitucional).

Enumero isto porque li, numa caixa de comentários de um post alguém usar o ‘argumento’ crítico de que ela estava velha e desactualizada.
Mas que falsa questão!
Sócrates foi Ministro com 38 anos. Aliás, foi Primeiro-Ministro com 48. Jovem para o cargo, não é? E estamos satisfeitos com isso?... Aceito o argumento de que pessoas demasiado jovens ou excessivamente idosas não tenham condições para certos cargos, ou por imaturidade ou por falta de vitalidade mas são mesmo as pontas do leque. Não é isso que está em causa.
Quando MFL foi Ministra da Educação, não deixou saudades.
Quando esteve nas Finanças, menos ainda.
E era mais nova.
O que acho interessante no seu discurso actual, neste momento em que já reúne pessoas para o seu ‘futuro governo', não é o tom duro e agressivo - o que não surpreende nela, é a imagem de marca, a dama-de-ferro à portuguesa - mas, até agora, ser um discurso esvaziado de boas propostas motivadoras para nos (?) (ou seja quem for) lançarmos ao trabalho.
As coisas estão mal. Ponto parágrafo. É dito em todos os tons, até pelo próprio PS, com responsabilidades no 'estado da nação'. Mas o que fazer de positivo para as melhorar?
*Mantém o aeroporto e acaba com o TGV. Acaba com a ideia da terceira ponte em Lisboa. OK.
*Mantêm o programa do PS quanto a reformas mais baixas e menos tempo de aposentação.
*Mantêm a Reforma da Segurança Social
*Diz que vai acabar com «o pagamento especial por conta» que foi uma sua brilhante iniciativa quando esteve no poder.
Mas não podia aproveitar depois de ter rompido, repudiado e rasgado com tanta energia (e não se vê assim lá muito o quê, além das pontes e TGV) sugerir algo de construtivo e positivo?
Como se vai combater o desemprego? Penso em emprego para todos, não apenas para quem tenha um cartão partidário, como de costume.


Vai tudo abaixo!!!


...e depois?

terça-feira, junho 30, 2009

Sinceridade fatal (?!)

Na sexta-feira passada fui a uma festa.
Como acontece nestas ocasiões, quem organiza os jantares agrupa as pessoas em mesas de acordo com as relações anteriores que sabe que elas têm de forma que assim me encontrei com algumas velhas amigas. Já se sabe que nestas ocasiões é muito vulgar os elogios simpáticos do tipo «estás na mesma!» ou «olhem para ela, está óptima!», etc. Aliás, por acaso naquela mesa esses comentários até eram merecidos porque realmente estas «velhas amigas» estavam aquilo que se costuma dizer ‘bem conservadas’.
Na minha opinião.
O engraçado é que, por conveniência da arrumação das pessoas, estava na mesma mesa o filho de uma de nós (não, não era o meu!). E a mãe dele, em ocasiões anteriores tinha constatado que a respeito de uma nossa amiga comum ele tinha mostrado uma grande e agradável admiração com o seu aspecto, declarando que ela parecia muuuuito mais nova. Eu assisti, sou testemunha!
Portanto, segura de que era essa a opinião dele, e no desejo de ser simpática para a nossa amiga, insiste
- «Oh Miguel, mas tu não achas que a T*** parece mais nova do que a sua idade?»
- «Sim», admite ele, com alguma dúvida.
- «Alguém lhe dá os 50?!» continua a mãe, sem reparar que o gelo era fino «Quantos é que achas que ela parece?»
- «Huumm… Uns 48, 49…»
Pois é. Há as 'mentiras sociais', e depois há a sinceridade - menos social sempre e, no caso, profundamente cómica.
Acabou tudo à gargalhada!

segunda-feira, junho 29, 2009

E se calhar não queria

Quando vi uma referência à «reforma» (escrevo com aspas porque aquilo não se pode incluir na categoria de reforma) do Jardim Gonçalves, ri-me e disse para quem estava ao meu lado: «Também queria!»
Sabia-se, porque foi falado nos media, que Paulo Teixeira Pinto com 46 anos (de idade, não de trabalho!) tem uma reforma vitalícia de 500 mil euros anuais. Não encontrei quanto receberá o Jardim Gonçalves, mas palpita-me que não seja muito menos.
E para além dos trocos da sua reforma, quando viaja é em avião Falcon, e tem direito a 40 seguranças privados, tudo pago pelo seu Banco.
Mas a verdade é que nem sei se eu queria mesmo.
Claro que queria ter uma boa reforma. Mesmo muito boa se fosse possível. Que me permitisse ter uma boa qualidade de vida, sem me preocupar com o dia de amanhã, com a subida dos preços, com a possível falta de saúde, com qualquer azar que acontecesse a um meu familiar.
Seria muito bom e confortável sentir a segurança que o dinheiro dá. Não me ralar com a renda da casa, não olhar logo para a coluna da direita nos restaurantes, comprar os livros ou músicas que desejasse sem fazer contas de cabeça. Isso queria.
Contudo, por um lado nem queria 40 seguranças privados (tchi que medo!) nem via a menor necessidade de um avião apenas para mim, e por outro lado sentir-me-ia muito desconfortável se soubesse que esses privilégios, essa reforma de luxo, era só para mim ou para uma dúzia de pessoas como eu. E o resto dos reformados? A verdade é que tais benefícios não poderiam ser partilhados - em nenhum país do mundo tal acontece, pelo contrário à medida que a qualidade de vida aumenta diminui o fosso entre ricos e pobres – e tenho a certeza de que não me sentia bem e contente a receber 500 mil euros e olhar à minha volta e ver aquilo que se passa.
Pensando bem, acho que não queria aquilo.
Mas que queria muito mais segurança do que tenho, ai isso nem se discute!

... e parvos?!




Estamos conversados sobre os variadíssimos «estudos» que polvilham o nosso quotidiano. Já aqui tenho dito da minha desconfiança da fiabilidade dos mesmos em grande parte dos casos. Não se sabe como é a amostra, não se sabe como foram feitas exactamente as perguntas, só se conhecem as conclusões que ou estão de acordo com o que sabemos e aceitamos, muitas vezes com um encolher de ombros, ou não estão e ficamos muito desconfiados.
Este então é de se tirar o chapéu! Quase que vale a pena comprar um para o tirarmos. Pobretes mas alegretes?!
Portugueses são pobres, estão desmobilizados mas consideram-se felizes
Então 'é assim':
«Cerca de um terço da população vive “um contexto de precariedade” e está preocupado “com a sua sobrevivência” contudo o grau de satisfação e o da felicidade está acima da média da escala».

É caso para perguntar se perceberam a pergunta?...

domingo, junho 28, 2009

Uma música ao Domingo

Nem todas as suas canções são do meu agrado, mas algumas são reconhecidamente muito boas.
Como despedida de uma grande voz:


Michael Jackson - Black Or White



ou

sábado, junho 27, 2009

Não haja confusões...

(É no Brasil, penso eu.
Mas...
...alguns deles acho-os fenomenais!)



Sem gasolina


Desta vez não é uma «boa notícia» nacional, mas quando há um progresso geral podemos concordar que também é bom para nós.
É claro que não se pode (nem deve) voltar atrás quanto a transportes. Desde os tempos pré-históricos que se vai evoluindo quanto ao modo de deslocação. Inventaram-se as ferraduras e passou-se a andar a cavalo. Inventou-se a roda e nasceram os carros. Mas tarde com o vapor vieram os comboios, com a gasolina os automóveis e os aviões.
Tudo isso é progresso.
E aumenta uma forma de qualidade de vida para muitos de nós.
Mas tem como consequência a poluição e a perca de outro tipo de «qualidade de vida». Isto já é conversa antiga.
Ora uma das alternativas em que se está a trabalhar para manter as «duas qualidades de vida» é a energia solar. O sol está ali e não é por ser usado que se gasta mais, não se lhe está a roubar nenhum pedaço...
Muito bem, a energia solar está a ser usada em muita coisa e até na aviação. E a notícia interessante é que esta sexta-feira foi apresentado o primeiro avião solar capaz de atravessar o Atlântico, e está à vista um que pode fazer uma viagem à volta do mundo.
Explicam que «de dia, usa 12 mil células fotovoltaicas que cobrem as asas e de noite, plana e utiliza a energia acumulada nas baterias de lítio».
É claro que ainda é um projecto numa fase experimental. E entendi que, por enquanto, não anda com passageiros.
Mas é assim que se começa.


Outra «boa notícia», a nível mundial, é que um país africano, Togo, aboliu a pena de morte
A pouco e pouco o Mundo avança. E que isto seja em África, ainda sabe melhor!


sexta-feira, junho 26, 2009

Positivo e negativo


Como sabemos, tem havido no mês de Junho um calor terrível dias de um calor terrível e, no último fim-de-semana, muita e muita gente procurou o fresco da beira-mar. Deu-se uma imigração massiva para as praias, tanto quanto percebi (quem não foi é porque achou que só o esforço de se deslocar já era excessivo…)
E, curiosamente, o conforto de nos transportarmos até à praia em carro próprio, que é algo relativamente recente, tem um efeito perverso. Passo a explicar a minha ideia:
Há muitos anos (os mais novos de 30 anos nem se recordam de tal…) só algumas pessoas, as mais abastadas, tinham o luxo de possuir carro próprio. Quase toda a gente, andava de autocarro, eléctrico, comboio, camioneta, ou até em situações de urgência, de táxi, mas o automóvel era luxo de muito poucos. Portanto, quando se ia à praia ou se alugava uma casa junto dela e portanto ia-se simplesmente a pé, ou se escolhia uma camioneta ou um comboio que nos deixasse lá perto.
Não seria muito bom porque tínhamos de carregar com o material de praia até à camioneta ou ao transporte que servisse para esse fim e, nem sei se por isso, não havia tanto o hábito de ir à praia como há hoje, que mal começa a fazer bom tempo corre-se para lá em massa.
Quando os carros começaram a ser mais comuns sentia-se que a comodidade era bem maior! Que delícia, íamos até quase junto da areia e, mesmo que o carro não pudesse ficar ali, deixava-se a família, os sacos, o guarda-sol, e ia-se estacionar um pouco mais à frente. Excelente.

Acontece que entretanto a ‘democratização’ do transporte privado, alterou as regras. Hoje em dia, a cada metro quadrado de areia ocupado por uma pessoa correspondem 4 metros de estacionamento ocupados por uma viatura. Ou seja, cada praia precisa de ter uma zona de estacionamento bem maior do que ela própria. Lembro-me de que a praia onde eu costumava ir tinha uma camioneta que fazia carreira entre o larguinho junto à praia e a vila mais próxima. Claro que quem ia de camioneta tinha de conhecer o horário para estar na paragem e essa carreira acabava no final da tarde, mas era uma opção e cómoda de certa forma.
Ora desde há alguns anos que isso acabou. O estacionamento transbordante por tudo o que é sítio nos dois lados da estrada, fez com que a camioneta não conseguisse passar e a empresa desistiu.
Ou seja, aquela é uma praia que passou a só ter acesso de carro e, ou temos a sorte de apanhar um lugar de alguém que está de saída ou somos obrigados a andar uns bons quilómetros a pé.

De tirar a vontade de lá ir!
Foi o que me aconteceu o fim-de-semana passado. Ao ver o tamanho da fila dos carros já estacionados, fiz meia volta e regressei a casa!
Livra!!!
Será que neste será melhor?

quinta-feira, junho 25, 2009

Birras

Há coisas que nos deixam de boca aberta.
Termina amanhã o prazo para eleger o novo Provedor de Justiça.
E, pelos vistos, o braço de ferro entre PS e PSD continua
Aparentemente os candidatos do PS e PSD só têm de mal para cada um deles o facto de serem nomeados pelos adversários. Não dei conta de que se apontasse nenhuma incompetência.
Ficarão a discutir até às eleições?...
Não há pachorra.
Coitado do Nascimento Rodrigues. Acabou o mandato há meses, anda a desejar descanso e tem idade para isso, mas parece que o cargo é vitalício. Quem o aceita nunca mais se livra dele! Ouvi agora que Jorge Miranda já não o aceita.
Livra!
Eu também não ia nessa....



(não encontrei a Ferreira Leite e o Sócrates mas vamos fazer de conta...)

De volta à adolescência

Não acredito!
Sinto uma vontade de rir incontrolável, com a máquina do tempo a girar para trás numa velocidade louca.
Nos meus anos teens, um desastre que me deixava em fúria era quando, com aqueles desequilíbrios hormonais da adolescência, me nascia uma borbulha sempre num sítio em evidência, na véspera ou dia em que estava a planear ir a uma festa.
Ora peço que acreditem que fui convidada para ir sexta-feira (amanhã!) a uma festa muito simpática, hoje senti uma impressão no nariz e, ao olhar-me ao espelho, descubro uma borbulha a nascer mesmo lá na ponta?!
Palavra de honra!
Só a mim!!!
(que sensação estranha de um 'dejà vu' fora do tempo e que vontade de rir!)

quarta-feira, junho 24, 2009

Livros e bibliotecas

Por gosto, por educação, por feitio, gosto muito de livros.
Desde criança, ainda não sabia bem o que queria dizer «ler» mas encantava-me ver os mais velhos com livros na mão e sabia que aqueles sinais pequeninos eram palavra que ditas em voz alta eu podia entender. Algo de mágico. Aliás é das recordações mais fantásticas da minha vida o primeiro livro que li sozinha, ainda hoje sei de cor o primeiro parágrafo! E tenho gosto em 'sentir' um livro nas mãos. Admira-me um tanto como há quem se interrogue do interesse de publicar em papel???
É inútil dizer que tenho muitos. Fui perdendo ao longo dos anos os livros da adolescência e muitos da minha biblioteca de adulta também levaram sumiço com o tempo, mas a verdade é que hoje o meu problema maior é arranjar espaço para arrumar tudo o que tenho ido acumulando ao longo da minha vida.
Ora acontece que uma das minhas ‘fontes de abastecimento’ de vez em quando é a Amazon. E esses senhores, que sabem vender, desde a minha segunda encomenda construíram o meu perfil e volta não volta tenho no meu email um lembrete da Amazon recordando que a obra X ou Y me deve interessar. Espertos. Estou a escrever isto porque ainda ontem chegou outra dessas ‘mensagens’ sugerindo a compra de mais um ou dois livros que eles sabiam que me iam interessar.
Muito bem. E interessam. Mas…
Mas acontece que o meu ordenado está cada vez mais pequeno, enfim quero eu dizer que tudo aquilo que preciso comprar está cada vez mais caro. E, o espaço da minha casa não aguenta mais estantes uma vez que o limite é o tecto e não posso entrar pela casa do vizinho.
Tenho ouvido que noutros países há o hábito de se trazerem livros de bibliotecas para o prazer da leitura, e que existem muitas, actualizadas, de fácil acesso. De vez em quando leio uma história onde uma personagem se refere ao seu ‘cartão da biblioteca’ tal como nós falamos do cartão de multibanco. Há países assim. Mas não o nosso.
Temos bibliotecas, sim. Conheço muitas. Cada Câmara tem pelo menos uma e as das grandes cidades têm várias. E há a Nacional, é claro. E as Escolas também têm, assim como as Universidades. E as Fundações. E outros organismos privados. Mas em relação à população do nosso país que gota de água isso é! No caso que referi, o tal livro que era o isco do email da Amazon, se o quisesse ler este fim de semana, onde o ia procurar?...
Afinal, os livros de que gosto tanto, são um bem supérfluo, só pode ser. Uma espécie de jóias, quem quer luxos paga-os, não é?
Era o que faltava estar a investir em bibliotecas quando há TGVs e obras importantes à espera.
Mas que parvoíce de ideia.

Só não via quem não queria ver

«Descobre-se» agora que os Hospitais privados discriminavam doentes beneficiários da ADSE
Mas há alguma dúvida?
Bastava telefonar para lá a marcar uma consulta. A menina que atendia perguntava, à cabeça, que sistema de saúde se tinha, Privado ou ADSE. E a marcação era completamente diferente no tempo de espera.
Eu própria experimentei - uma marcação em meu nome e outra, de seguida, para o meu filho que tem um seguro. Para a mesma especialidade para não haver dúvidas!

(já que se privatiza tanta coisa, porque não se privatiza a adse?)