segunda-feira, março 17, 2008

Já agora…

Li algures, uma história que informava ( a fonte citada era a Newsweek. ) que «a China proíbe que monges budistas do Tibet reencarnem sem autorização do governo».
Isto porque, por tradição, a alma do Dalai Lama reencarna numa nova pessoa para continuar o legado da anterior, e como o Dalai Lama sempre é o Dalai Lama, ele «escolhe»
onde em quem vai reencarnar.
Admitindo isto, que ele tem controle sobre a reencarnação, como a alma deste senhor tem pelo menos 600 anos, e ele anda a ficar incomodado com o que se passa, agora que tem 71 anos e já pode começar a pensar nessas coisas, declarou que « que se recusa a renascer no Tibet sob controle da China».

Ai, ai, ai….

Pronto!
Então «a Administração do Estado para Assuntos Religiosos, vai promover uma lei que entrará em vigor no mês que vem restringe o processo de reencarnação».
É uma brincadeira, mas sintomática.

A China e o Tibet

Desta vez a China entrou em luta aberta contra os Tibetanos e a sua ordem religiosa.
Já tenho afirmado que não suporto fundamentalismos e os religiosos são do pior.
Mas, tanto quanto se sabe se há coisa que os tibetanos não são é fundamentalistas.
O Dalai Lama passeia-se pelo mundo mas nunca dei porque pretendesse converter ninguém por ameaça ou à força. Pelo contrário, a imagem que passa é de uma figura calma, sorridente, tolerante.
Mas os templos daquele região foram cercados pelas forças chinesas, os tumultos prosseguem, e veja-se como a China trata o Tibet
Qualquer coisa vai muito mal.
Afinal o tempo dos 'imperialismos geográficos' já lá vai (agora prefere-se os económicos) e a China é suficientemente grande para não precisar daquele bocadinho.

Ou não?

A gravata


Diz-se que «quem com ferro mata...» ou seja muitas vezes tal como na história do «aprendiz de feiticeiro» há forças que podem ser desencadeadas com determinados resultados mas de depois tomam o freio nos dentes e os próprios que beneficiaram delas vem a verificar que se podem voltar contra si próprios.
Vem isto propósito do Presidente da França.
De
o senhor Sarkozy e a direita francesa terem sofrido ontem outra derrota na segunda volta das eleições municipais.
Claro que, como é natural, e já se sabe que acontece sempre, o primeiro-ministro acorreu logo a explicar que não se pode fazer uma leitura nacional destas eleições municipais. Já se sabe que se o resultado fosse inverso diria exactamente o oposto.

Mas o certo é que a
popularidade de Sarkozy tem vindo a descer e entra no negativo
Aparentemente ele decepciona os seus eleitores, os mais pobres que votaram nele confiantes em que o seu poder de compra ia aumentar (o 'seu', deles) não vêem nada disso, e os mais idosos e conservadores não apreciam agora o “estilo” descontraído que ele adoptou.
Claro que em relação à melhoria de vida, imagino que esse desejo vai ficar em branca nuvem, mas ouvi na TV, que o senhor Sarkozy anda a ponderar mudar de visual, deixar de aparecer de calções e óculos escuros, e voltar ao fato e gravata, BCBG, mais de acordo com o seu estatuto.
Quando comecei por dizer que por vezes há forças que se descontrolam, é que ele soube bem usar os media para a sua propaganda pessoal ou atacar adversários. E, até um certo ponto, os media fizeram-lhe realmente a vontade e tornaram-no popular.
Só que aquilo é uma arma de dois gumes, e tanto corta para um lado como para o outro. Quando ele responde malcriadamente a alguém que também foi malcriado, o facto torna-se logo um pico de visionamentos no Youtube.
É o mal da fama.

E não sei se o fato e gravata chegam a tempo…


domingo, março 16, 2008

Uma música ao Domingo

Quem se lembra?




Avec ma gueule de métèque
De Juif errant, de pâtre grec
Et mes cheveux aux quatre vents
Avec mes yeux tout délavés
Qui me donnent l'air de rêver
Moi qui ne rêve plus souvent
Avec mes mains de maraudeur
De musicien et de rôdeur
Qui ont pillé tant de jardins
Avec ma bouche qui a bu
Qui a embrassé et mordu
Sans jamais assouvir sa faim



Avec ma gueule de métèque
De Juif errant, de pâtre grec
De voleur et de vagabond
Avec ma peau qui s'est frottée
Au soleil de tous les étés
Et tout ce qui portait jupon
Avec mon cœur qui a su faire
Souffrir autant qu'il a souffert
Sans pour cela faire d'histoires
Avec mon âme qui n'a plus
La moindre chance de salut
Pour éviter le purgatoire



Avec ma gueule de métèque
De Juif errant, de pâtre grec
Et mes cheveux aux quatre vents
Je viendrai, ma douce captive
Mon âme sœur, ma source vive
Je viendrai boire tes vingt ans
Et je serai prince de sang
Rêveur ou bien adolescent
Comme il te plaira de choisir
Et nous ferons de chaque jour
Toute une éternité d'amour
Que nous vivrons à en mourir



Et nous ferons de chaque jour
Toute une éternité d'amour
Que nous vivrons à en mourir

Publicidade em 1929

E a «The Anglo-Portuguese Telephone Co. Ltd.» quanto daria por um telemóvel...?
Ai, ai...


Explicação



Bem...
Hoje não estou cá!
Quero dizer, «vim para fóra cá dentro» e não estou em casa.
Portanto, ficam apenas os posts que costumo deixar ao Domingo, estavam já feitos e deixo-os à vista só mesmo para mão deixar aqui o Pópulo fechado e a encher-se de pó.
Volto amanhã...


sábado, março 15, 2008

Na casa de banho

Li, já não quando nem onde, uma crónica do Miguel Esteves Cardoso que brincava com o costume que muitos de nós temos de ir ler para a casa de banho.
É um facto.

Evidentemente que estou a falar de uma ‘fatia’ especial de pessoas, de um certo nível cultural e de uma certa idade, mas isso é mesmo verdade. Muita gente, sente uma dor de barriga e, antes de se dirigir para o local indicado, deita a mão a uma revista ou a um livro. Para os ler, é claro, não é para outras funções.
Estou até a lembrar-me de umas três casas que conheço, onde essa leitura está já lá à disposição – um cesto com revistas, ou um suporte na parede para tal (falo de casas de banho de um tamanho aceitável, em casas antigas)
Por isso achei interessante este novo papel higiénico. O papel sudoku.

Não consegui saber onde se vende, mas se o descobrir já tenho uma prenda de Natal para uma pessoa!


De novo as omeletas e os ovos

Numa altura onde uma das teclas mais batidas é a questão da insegurança, da delinquência, da criminalidade e que todos os dias aparecem nos nossos media histórias relatadas com muito relevo e pormenor ajudando a aumentar o nervosismo do cidadão comum, é interessante ver no Expresso o que afirma o presidente do Sindicato dos Oficiais da PSP .
Declara alto e bom som que «a PSP está privada de elementos humanos e meios materiais para fazer face a um agravamento da insegurança
Cita números. É aqui clara a rivalidade PSP versus GNR mas lendo o que o homem diz, até parece ter razão: por exemplo diz que vieram mais 1000 agentes para a PSP e outros 1000 para a GNR mas a PSP recebeu mais 700 mil habitantes e a GNR tem-nos perdido. Qual foi então o critério?
Afirma também que a colaboração PSP / PJ só funciona nesse sentido, que a PJ não se lembra de se articular com a PSP.
Por outro lado chama a atenção para o facto de que o novo regime de vínculos da Função Pública considera a PSP como "funcionários públicos" normais, mas abre excepções para a GNR e as Forças Armadas.

Bem, mais uma vez parece que se quer pedir muito mais do que se . Por um lado ainda não entendo porque é que existem duas polícias diferentes (PSP e GNR) por outro sem incentivos e condições de trabalho não vejo como se possa pedir que esse trabalho seja de boa qualidade.

Ou guardamos os ovos ou comemos a omeleta.

Treze pecados mortais


A notícia andou por aí, muito bem explicada, mas depois vem uma espécie de desmentido/esclarecimento: tudo se baseou numa entrevista que um Bispo (regente do Tribunal da Penitenciaria Apostólica) deu L’Osservatore Romano.
Só isso e mais nada!
Fiquei mais animada. É que se eu já não sabia bem os 7 (eram sete, não eram?) agora passarem a 13 ia-me aumentar a confusão.
É que são Pecados Mortais.
Aqueles que mandam mesmo logo para o Inferno.
Mas modernos, é evidente, e é difícil reduzir cada um a uma só palavra como nos tradicionais.
Era fácil dizer

1. soberba
2. avareza
3. luxúria
4. ira
5. gula
6. inveja
7. preguiça

mas dizer manipulação genética por exemplo, reconheçam que não dá o mesmo jeito.
Ora bem, eles são mais estes 6

8. tráfico de droga

9. a pedofilia

10. aborto

11. poluição do ambiente
12. manipulação genética
13. desigualdade social


Imaginem alguém ajoelhado num confessionário a dizer «Eu pequei, padre. Pratiquei manipulação genética».
Huummm…
Contudo faz realmente todo o sentido que a Igreja se actualize, e o tráfico de droga, a pedofilia, são crimes graves que merecem o Inferno sem dúvida, a poluição do ambiente também me parece consensual, quanto ao aborto é problema lá dos católicos, (lá por isso a preguiça também é um desses pecados mortais) e parece-me muito bem que a Igreja finalmente considere que a desigualdade social seja um pecado grave. Pois é.
Mas... cá está, conseguem imaginar o (nada de nomes, nada de nomes!) xxxxxx xxxxxxxxx, no confessionário a pedir «Perdoe-me padre, que eu fomentei a desigualdade social»???
Não.
Assim não pega.

Um veto, e agora?

O que se vai fazer à zona ribeirinha de Lisboa?
Tantos projectos...
Talvez dê mais tempo para pensar.

sexta-feira, março 14, 2008

Reparações velozes



Eu vi a informação no Destak de ontem, mas se é verdade deve vir também noutros jornais:
«A reparação dos objectos danificados terá de ser feita num mês, com o período de garantia de dois anos a reiniciar-se após a entrega do produto. Nas compras à distância empresas pagam o dobro se não cumprirem os prazos»
Vai cair o Carmo e a Trindade…

Quem é que não tem queixas por ter comprado um telemóvel que ‘encrava’ e não funciona ficando depois tempos infinitos a concertar, uma máquina que vai 20 vezes ao representante e volta quase na mesma, um aparelho que para ficar bom precisa de uma peça nova que tem de vir da origem, o que implica esperar meses a fio?

Muitas vezes o consumidor quase se sente culpado de se ir queixar como se tivesse estragado propositadamente o aparelho, por maldade, só para incomodar o vendedor…

E se o objecto não foi muito caro, telemóvel dos mais baratinhos por exemplo, às tantas desiste-se de esperar pelo arranjo.
Ora bem.
Se isto for mesmo a sério, parece-me que os vendedores e representantes vão ter de passar a esforçar-se mais!
Eheheheh!!!


Não resisto

Ele há coisas do Diabo!
Então não é que se encontraram uns investigadores para descobrir que... (tátátátááá!!!)
Vermelho é a cor da vitória no futebol
Ena!
Tá tudo explicado!



Fecha-se a porta e entra pela janela


Há projectos para controlar a publicidade de produtos alimentares que não são benéficos para as crianças.

Certo.

A verdade é que quando se fala nisso se pensa de imediato na publicidade televisiva sobretudo, ou em cartazes, outdoors, aquilo que se VÊ de imediato. E que em muitos países desenvolvidos já está definido e regulamentado.
Mas há ainda um campo que está a ser invadido e onde muita gente não tinha pensado – quando digo muita gente, se calhar estou a pensar em mim :D
São os jogos electrónicos
Parece que a publicidade por Internet (e essa conhecemos bem, quando queremos ler uma notícia e temos de fechar 20 janelas antes de lá chegar) está a apanhar os miúdos e a usar os 'advergames', - jogos electrónicos que combinam entretenimento e publicidade.
Como é que se detém essa praga?...


Quem não deve não teme


Pelo menos é o que se costuma dizer.

Mas poderemos chegar ao ponto de pensar que quem teme deve?
Ai, os paraísos fiscais…

Parece que o "registo dos movimentos transfronteiriços de capital cujo montante exceda 10.000 euros num ano fiscal", comunicado obrigatoriamente ao Banco de Portugal e ao Ministério das Finanças, podia incomodar.

Olhem, a mim não!



Delírio manso

O PSD tem tendência a escolher uns líderes que trazem boa disposição à malta.
O tempo de Santana Lopes, foi óptimo para os humoristas que viram o seu trabalho inventivo profundamente facilitado e se lamentaram quando ele saiu.
Temos agora L F Menezes que, para além de dar uns retoques no símbolo do partido, coisa que por lá se gosta bastante excepto na Madeira, anda a mostrar que como tem a certeza de que não vai ganhar as eleições pode tranquilamente dizer o que lhe passa pela cabeça:
Foi aquela piada de que em meia dúzia de meses desmantelava de vez ‘o peso de o Estado’.
Foi a promessa de retirar a publicidade da RTP.
Foi a ideia de acabar com o Tribunal Constitucional
Foi a solução brilhante de, na área da acção social, transferir todas as responsabilidades do Estado para as Instituições Particulares de Solidariedade Social e para a Igreja.
E hoje propõe uma descida de impostos no Orçamento do Estado para 2009 !!!

(esta é fácil - como tem aquele projecto de privatizar tudo, as áreas do ambiente, comunicações, transportes e portos, para além do que for ‘social’ o Estado fica tão pequenino, tão pequenino que se calhar nem precisa de Orçamento, faz-se uma contabilidade doméstica)

Estas ideias tão criativas só se podem entender como alguém que anda a brincar por não imaginar que venha de facto algum dia a passar as palavras a acções, já desistiu destas eleições e pode delirar sonhar sem entraves.


Ora cá está

Para quem não viu ontem:



E pronto!

quinta-feira, março 13, 2008

Reclamar

Parece que estamos a aprender.
Já aqui disse muitas vezes que em Portugal queixamo-nos muito e reclamamos pouco. Somos (ou éramos) um país de «queixinhas».
Por todo o lado se ouvia histórias de coisas que tinham corrido mal, de pequeninas vigarices, de mau atendimento, de pessoas incomodadas. Era uma ladainha constante, e por vezes até parecia demais, que havia pessoas que passavam a vida a queixar-se.
Mas quando se perguntava o que é que tinham feito, encolhiam os ombros e declaravam que «não valia a pena» fazer nada, não servia de nada…

Parece que essa atitude está a acabar.
Já uma vez deixei o endereço de um site para se reclamar por net - muito prático e leitura interessante!
E sabemos agora que
em 2007 as reclamações escritas ultrapassaram as 120 mil
Queixas em relação aos Bancos, em relação às comunicações, em relação ao consumo.

Vamos ver as consequências que isso é que é importante, mas que se reclame já é um bom sinal.

Partido da trotinete

Eu sei que «é lá com eles».
Sei.
Não quero saber dessas coisas para nada, diz uma parte de mim.
A parte melhor, mais séria, mais politicamente correcta.
Há certas coisas que são «cusquice» partidária.
Mas esta conversa
do PND andar a roubar militantes ao CDS com base nas fichas que um antigo elemento possuía tem de me fazer sorrir.
Não é só por um partido pequenino querer crescer à custa se outro também pequenino.
Afinal ainda há pouco se viu que todos têm direito à vida, e não é necessário ser-se grande para se ser Partido.

Mas neste caso parece mesmo um jogo de berlindes, e de um menino que arranjou um abafador.

Coisas de putos.


Indisciplina

Disse-nos o Público na sua secção ‘números’ que Alberto João Jardim foi eleito presidente da Comissão Política Regional do PSD-Madeira por 99,7.
É escandaloso.

Quem foi o 0,3 que não votou?
Se fosse a ele queria saber.
É que há coisas que não se podem permitir, assim começam as grandes revoltas.

Sabe a pouco

É positivo, evidentemente.
Temos de concordar com a medida:
O governo vai aumentar o abono de família para famílias monoparentais em 20%, o que deve abranger 200 mil crianças.
Uma vez que ainda há muito pouco tempo se tinha concluído que havia tantas crianças a viverem em pobreza, a medida faz sentido.

Assim como faz sentido se se quiser reverter a tendência da acentuada quebra de natalidade que se vive.

Contudo, é ainda muito pouco.