Decepção
Ontem, ao passar pela «Cabra de Serviço» reparo que a Teresa tinha agarrado a mesma história, e na mesma perspectiva. A história deveria reduzir-se a uma notícia pequena, meia dúzia de linhas: uma banda de música, com um concerto agendado, teve de adiar esse espectáculo devido a uma amigdalite do seu vocalista.
Chato.
Contudo o concerto "foi remarcado para o próximo dia 29 de Junho e os bilhetes serão válidos para esse espectáculo, a não ser que se pretenda a devolução do dinheiro".
Normal.
É fácil de imaginar, até porque todos nós já passámos por situações onde uma grande expectativa não se pôde realizar, a desilusão dos espectadores. Calcula-se que enorme, imagina-se que, como muitos deles eram adolescentes, aquilo lhes parecesse o fim do mundo, a maior desgraça possível. E isto porque é muito duro lidar com a frustração em todas as idades e quanto mais jovem mais difícil.
O acidente não devia valer mais do que uma notícia de jornal de algumas linhas. Mas não. O que nos contam é que se assistiu a "um espectáculo deprimente com milhares de crianças a chorar e adolescentes a desmaiar em pleno recinto" o que já é demais. Mas, o que ainda é demais do demais [:D inventei agora este superlativo] é a reacção das mãezinhas que acompanharam as suas crias ao evento, e em vez de os ajudar a aceitar a frustração e ensinar a lição de que a vida por vezes tem desagradáveis surpresas, pelo contrário mostravam que tinham tanta dificuldade em lidar com a frustração como os seus filhos. “As crianças estão apavoradas, a chorar baba e ranho” declara uma delas, muitas outras afirmam que estão indignadas, em choque, insistindo em que algumas das crianças estavam ali desde há dois dias a marcar lugar!
Se assim foi está mal. Muito mal. Miúdos de 13 / 14 anos, a faltar às aulas, para assistir a um espectáculo, é um erro. Que eles o façam, é natural, estão “no seu papel” de adolescentes. Mas os acompanhantes, adultos, a colaborarem é que não.
Na minha opinião, aquela grande desilusão, que não nego que o tenha sido, era até uma excelente ocasião para um bom educador ter uma bela conversa com o seu filho e, partilhando o desencanto que o miúdo estava a sentir, fazer-lhe ver que era uma situação imprevisível (o vocalista não adoeceu porque quis) que se teria de aceitar e ainda tinha o consolo de não se perder tudo, apenas se adiava – porque ficavam com bilhetes para Junho.
Que situação pedagógica desaproveitada, porque os pais se mostraram tão imaturos e frustráveis como os seus filhos!!!
























